EUA alertam Delcy Rodríguez sobre risco de queda e condicionam apoio a petróleo

Em depoimento ao Senado, Marco Rubio diz que líder interina da Venezuela pode ter destino semelhante ao de Maduro e reforça pressão por cooperação com Washington

Marina Verenicz

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ao fundo no Salão Oval da Casa Branca 07/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ao fundo no Salão Oval da Casa Branca 07/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, levará ao Senado nesta quarta-feira (28) um recado direto à liderança interina da Venezuela. Segundo trechos de seu depoimento, divulgados pelo Departamento de Estado, Delcy Rodríguez está ciente de que pode enfrentar o mesmo desfecho político de Nicolás Maduro, capturado no início do mês em uma operação militar norte-americana em Caracas.

Rubio comparece a uma comissão do Senado para explicar os detalhes da ação das Forças Armadas dos EUA, realizada em 3 de janeiro, que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados a Nova York, onde respondem a acusações de narcotráfico, negadas pela defesa.

No depoimento, o secretário afirmará que os Estados Unidos “prenderam dois narcotraficantes” e sustenta que a operação não caracteriza uma guerra contra a Venezuela, destacando que não houve mortes de norte-americanos nem ocupação militar prolongada.

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O discurso também antecipa os próximos movimentos do governo Donald Trump em relação ao país latino-americano. Desde a queda de Maduro, Washington e Caracas passaram a explorar uma reaproximação pragmática, com negociações voltadas à retomada e à expansão da indústria petrolífera venezuelana, tema sensível para investidores e para o mercado internacional de energia.

Segundo Rubio, a permanência de Delcy no poder dependerá do grau de alinhamento com os interesses estratégicos dos EUA. “Acreditamos que seu próprio interesse se alinha com o avanço de nossos objetivos-chave”, dirá o secretário, acrescentando que o governo norte-americano está disposto a recorrer à força caso outros instrumentos de pressão não funcionem.

A fala reforça a estratégia de condicionar apoio político e estabilidade institucional a concessões econômicas, especialmente no setor de petróleo.

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No plano interno, Delcy tem alternado discursos. Para sua base doméstica, mantém uma retórica de enfrentamento a Washington. No fim de semana, declarou que não aceitará mais “ordens dos EUA” sobre a política venezuelana, durante um evento com trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui.

Em paralelo, tem sinalizado disposição ao diálogo com Trump em fóruns internacionais, em um movimento que busca preservar governabilidade e aliviar sanções.

Relatórios de inteligência dos EUA, no entanto, levantaram dúvidas sobre a capacidade de cooperação efetiva da líder interina. Esse ceticismo ajuda a explicar o tom mais duro adotado por Rubio no Congresso, em meio a questionamentos de parlamentares democratas.

O secretário aceitou depor após semanas de pressão, diante de acusações de que a Casa Branca teria extrapolado sua autoridade ao autorizar a operação militar sem aval prévio do Legislativo.