Embraer: mais um recorde na carteira de pedidos, mais um recorde para as ações?

Embraer divulgou nesta terça-feira (27) um backlog (carteira de pedidos firmes ainda não entregues) recorde de US$ 31,6 bilhões no 4T25,

Felipe Moreira

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Logo da Embraer 3/7/2024 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo
Logo da Embraer 3/7/2024 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo

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A Embraer (EMBJ3) divulgou nesta terça-feira (27) um backlog (carteira de pedidos firmes ainda não entregues) recorde de US$ 31,6 bilhões no 4T25, aumento de 1% na comparação trimestral. As entregas totalizaram 91 aeronaves no trimestre, crescimento de 21% na base anual, marcando um novo recorde histórico pelo quinto trimestre consecutivo. Às 10h45, as ações da companhia subiam 0,71%, a R$ 104,15, nas máximas históricas constantemente renovadas em 2026.

Na avaliação da XP Investimentos, a Embraer apresentou resultados operacionais sólidos no 4T25, em meio a uma sazonalidade favorável nas entregas.

A corretora prevê números operacionais sólidos para a Embraer no 4º trimestre de 2025, com carteira de pedidos resiliente, à medida que a empresa colhe os frutos das campanhas de vendas em andamento. Após o cumprimento das metas de entrega em todas as divisões, a XP acredita que a empresa está no caminho certo para fechar o ano fiscal de 2025 acima do limite superior de sua meta de lucratividade.

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Com as notícias recentes corroborando o sólido desempenho das ações da EMBJ3 no acumulado do ano, a XP observa um aumento na atenção do mercado em relação à divulgação das projeções para o ano fiscal de 2026, previstas para 6 de março. Segundo estimativas, prevendo receita líquida deve ficar entre US$ 8,0 bilhões e US$ 8,6 bilhões e margem EBIT entre 8,6% e 9,5%.

Segundo o Bradesco BBI, o conjunto dos números reforça a Embraer em clara trajetória de aceleração comercial e operacional, sustentada por forte entrada de novos pedidos em 2025 e por uma carteira que assegura elevada previsibilidade de receitas.

O backlog recorde, com crescimento de 20% em base anual, reduz risco de execução no curto prazo e evidencia demanda consistente em todas as frentes — comercial, executiva, defesa e serviços.

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Segundo o BBI, a aviação comercial segue como principal vetor de expansão, amparada por novos pedidos firmes e book to bill (relação entre pedidos recebidos e entregas realizadas) elevado, enquanto o segmento executivo mantém performance sólida e maior equilíbrio na distribuição trimestral das entregas. Em defesa, o KC 390 continua a ganhar tração internacional, com novas seleções ainda não contabilizadas no backlog, o que amplia visibilidade positiva para os próximos anos.

“A leitura agregada do trimestre indica uma Embraer operando com ritmo forte, carteira diversificada e capacidade de captura adicional de margens àmedida que o ciclo de demanda global se mantém favorável”, comenta BBI.

O JPMorgan, por sua vez, ressalta que embora os investidores acompanhassem uma estabilidade na carteira, a Embraer voltou a entregar nível recorde mesmo após o corte de cerca de US$ 1,7 bilhão relacionado à Azul (AZUL53), equivalente à redução de 25 aeronaves no backlog da aviação comercial, considerando preços de lista. A empresa divulgará os resultados do 4T25 em 6 de março, antes da abertura dos mercados.

Já o BTG Pactual avalia que o crescimento do backlog reforça a entrada de pedidos no ano passado e o crescimento nas entregas, apoiado por ganhos internos de eficiência em prazos e melhora na cadeia de suprimentos, especialmente em motores.

O Itaú BBA também aponta que a notícia é positiva, especialmente considerando que as entregas sazonalmente fortes do quarto trimestre tendem a pressionar a carteira de pedidos. Esse forte desempenho reforça o sólido momento da Embraer em todos os seus segmentos. O segmento de Defesa foi o destaque, com novos pedidos da Suécia (4 KCs), Portugal (um KC adicional) e Panamá (4 Super Tucanos). A EMBJ3 continua sendo nossa principal escolha, oferecendo uma TIR [Taxa Interna de Retorno] atrativa de 13,5% (em dólares) com premissas, possivelmente, conservadoras”, avalia.

Recomendação de compra

Em termos de valuation, o JPMorgan vê a Embraer negociando a aproximadamente 0,44 vez o valor da firma (EV) sobre a carteira de pedidos. Para 2026, a relação EV/Ebitda estimada é de 12,9 vezes, frente a 32,3 vezes da Boeing, 13,3 vezes da Airbus e 14,0 vezes da Bombardier. Com isso, o banco manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 108.

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O Bradesco BBI reiterou visão construtiva sobre a Embraer, uma de suas principais escolhas, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de US$ 89 para o final de 2026. A empresa deve continuar apresentando forte ritmo de pedidos, impulsionado por potenciais novas encomendas de aeronaves comerciais e de defesa, bem como pela expansão de suas margens.

O BTG Pactual também reiterou recomendação de compra e R$ 107.