Vale: suspensão das operações nas minas Fábrica e Viga é um risco para as ações?

Analistas veem desenvolvimento ligeiramente negativo para a Vale por conta do risco operacional, mas não veem impacto para a produção

Lara Rizério

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Logo da Vale (Foto: Divulgação)
Logo da Vale (Foto: Divulgação)

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Enquanto as ações da Vale (VALE3) batem máximas históricas – seguindo o Ibovespa – dois incidentes registrados desde o último fim de semana relacionados à gestão de água em Minas Gerais alarmaram o mercado.

No Complexo Mina de Fábrica, o evento esteve associado à infraestrutura instalada em área da operação, sem caracterização de falha estrutural em barragens ou pilhas de mineração. Na mina Viga, foi registrado extravasamento de água na estrutura de drenagem (sump).

Embora não tenha havido feridos e os eventos tenham sido controlados, as autoridades exigiram monitoramento adicional, aponta a XP, além de medidas de mitigação ambiental e controle de emergência, que parecem ser os principais motivos da suspensão, e não a instabilidade estrutural.

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A produção combinada de minério de ferro em Fábrica e Viga é de aproximadamente 8 milhões de toneladas por ano. Porém, o primeiro trimestre costuma ter um ritmo operacional mais lento devido ao período de chuvas, o que reduz o impacto imediato da paralisação, aponta o Itaú BBA.

Mesmo que as operações permanecessem suspensas pelo ano inteiro, esse volume representaria cerca de 2% da produção estimada da Vale para 2026, que é de 335 milhões a 345 milhões de toneladas. Assim, a Vale manteve, até o momento, sua projeção de produção para 2026.

O Itaú BBA avalia que, neste momento, é difícil quantificar o impacto financeiro, principalmente devido à incerteza sobre a velocidade em que a Vale poderá atender às exigências municipais e retomar suas operações.

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“É importante destacar que a natureza deste incidente é muito diferente das falhas de barragens de rejeitos ocorridas no passado. Não houve ruptura, liberação de rejeitos, nem feridos, algo reforçado pela ANM [Agência Nacional de Mineração]. Assim, acreditamos que o potencial de responsabilidade financeira é significativamente menor do que nos casos de Mariana e Brumadinho”, aponta. O banco lembra que qualquer impacto de curto prazo deve estar mais concentrado em limpeza, monitoramento, avaliações técnicas e custos incrementais de conformidade, e não em grandes programas de compensação.

O banco reconhece que o episódio pode influenciar o desempenho das ações da Vale no curto prazo, principalmente devido ao aumento do escrutínio regulatório e à sensibilidade do mercado a notícias envolvendo a empresa em Minas Gerais.

As autoridades também podem aumentar a supervisão das práticas de gestão hídrica, o que pode resultar em paralisações temporárias e novas medidas de remediação ou conformidade. Dito isso, a posição clara da ANM – de que “não houve ruptura de barragem” – reduz significativamente a probabilidade de um evento de maiores proporções, o que tende a limitar impactos mais profundos na avaliação da empresa conforme a visibilidade operacional melhore.

Já para o Bradesco BBI, este é um desenvolvimento ligeiramente negativo para a Vale, pois pode aumentar as preocupações dos investidores sobre o risco operacional.

Contudo, também nota que a empresa fez progressos significativos em sua agenda de segurança, tendo eliminado todas as barragens anteriormente classificadas como de emergência de Nível 3 e desativado cerca de 70% de suas estruturas a montante. Com os transbordamentos já contidos, espera que ambas as minas retornem às operações normais em breve.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.