Após fala de Bernanke, petróleo fecha em maior queda dos últimos 17 anos

Alta dos preços da energia pode encontrar resposta ágil no recuo da demanda por combustíveis; Opep revê projeções

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SÃO PAULO – Os preços do petróleo apresentaram a maior queda diária dos últimos 17 anos na sessão desta terça-feira (15), influenciados por declarações de Ben Bernanke, presidente do Fed, acerca do mau desempenho da economia norte-americana.

Na conferência semestral sobre a política monetária dos EUA, Bernanke declarou que os altos preços da energia, unidos à crise financeira pela qual passa o país, têm sugado o poder aquisitivo das famílias norte-americanas. Ele ainda previu que esses elementos devem continuar a prejudicar a economia local até o final deste ano.

Inflação, dólar e demanda

A aceleração da inflação norte-americana, preocupação bastante evidenciada pelo presidente do Fed nesta terça-feira, tem estimulado a queda do dólar. Alguns analistas atribuem à depreciação da divisa a maior parcela de culpa do ciclo de altas dos preços do petróleo.

Atualmente, as commodities têm sido consideradas atraentes pelos investidores, que buscam segurança em um cenário inflacionário pessimista. A preocupação, no entanto, é que esse comportamento mude com uma queda na demanda pelo óleo.

E a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) acredita na iminência dessa queda. O cartel revisou nesta terça-feira sua previsão de aumento da demanda pelo barril neste ano de 1,28% para 1,20%.

Greve na Petrobras

O segundo dia de greve dos funcionários da Petrobras reduziu a produção da estatal em 4%, segundo a Associated Press. 33 unidades estão paralisadas, entretanto, a empresa afirma que apenas duas estão totalmente fechadas.

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A previsão é que a mobilização se estenda até sexta-feira. Os trabalhadores reivindicam inclusão na contagem de dias trabalhados dos dias em que os petroleiros são transportados das plataformas para a costa.

Oriente Médio

A tensão no Oriente Médio provocada pela pressão dos EUA e de Israel para que o Irã encerre seu programa de enriquecimento de urânio tem influenciado há dias a alta volatilidade das cotações do petróleo.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, atribuiu a culpa do ciclo de altas da commodity ao Ocidente. Entretanto, ele mantém a afirmação de que está aberto para negociações com os EUA.

Confira as cotações do barril em Londres e Nova York

A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, fechou a US$ 138,75
no pregão desta terça-feira, forte baixa de 3,6% em relação ao último fechamento.

Com o desempenho negativo no dia, o petróleo acumula baixa de 0,68% neste mês de julho.

Por sua vez, a variação no ano ficou positiva em 47,44%, já que a
commodity encerrou o ano passado cotada a US$
93,89 por barril em Londres.
O contrato com vencimento em agosto de 2008, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, fechou cotado a US$ 138,74 por barril, configurando uma baixa de 4,4% frente ao fechamento anterior.