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Nos últimos meses, tornaram-se frequentes as notícias sobre golpes envolvendo vídeos falsos, clonagem de perfis e comunicações “oficiais” criadas com inteligência artificial. O que antes parecia um evento isolado começa a revelar um padrão mais amplo, com implicações que vão muito além da fraude individual.
Esses episódios expõem um novo tipo de risco: campanhas coordenadas de desinformação e manipulação de percepção — o que especialistas passaram a chamar de ataques de narrativa. Trata-se da capacidade de construir versões plausíveis da realidade e disseminá-las em velocidade maior do que a capacidade de reação das empresas e do próprio mercado.
Quando a confiança vira o ponto vulnerável
A confiança sempre foi um ativo central no ambiente corporativo. Em um cenário de informação acelerada, ela também se tornou um ponto vulnerável.
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Casos amplamente divulgados mostram que identidades podem ser imitadas de forma suficientemente convincente para induzir decisões críticas. Não se trata mais de abordagens rudimentares, mas de interações bem roteirizadas, que exploram hierarquia, urgência e a pressão por respostas rápidas.
O impacto é menos tecnológico do que comportamental. Quando a autoridade parece legítima, o questionamento diminui — e o risco se materializa.
O efeito dominó que o mercado começa a precificar
O problema não está apenas no golpe em si, mas no efeito dominó que ele provoca. Questionamentos internos, interrupções preventivas, ruído com parceiros, revisões regulatórias e desgaste reputacional passam a consumir tempo e energia da organização.
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Em mercados sensíveis à confiança, esse ruído já representa custo. O valor de uma empresa pode ser pressionado não por falhas operacionais comprovadas, mas pela incerteza gerada enquanto os fatos ainda estão sendo apurados.
Nesse contexto, o preço de um ativo passa a refletir não apenas fundamentos econômicos, mas também a narrativa dominante em determinado momento.
O risco invisível das decisões enviesadas
Há ainda um vetor menos visível, porém relevante. À medida que empresas utilizam sistemas automatizados e fluxos digitais para apoiar análises, recomendações e decisões, cresce o risco de que informações distorcidas contaminem esse processo de forma silenciosa.
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Diferentemente de um ataque explícito, esse tipo de impacto não gera um “incidente” claro. Ele apenas reduz, gradualmente, a qualidade das escolhas feitas pela organização — com reflexos acumulados sobre desempenho, risco e credibilidade.
O que o mercado passa a valorizar
Nesse ambiente, ganha relevância a capacidade das empresas de demonstrar clareza, coerência e rapidez na resposta a situações de incerteza. Não se trata de prometer invulnerabilidade, mas de mostrar maturidade diante do risco.
Organizações que conseguem manter comunicação consistente, decisões alinhadas e transparência sob pressão tendem a preservar confiança mesmo em cenários adversos. Em última instância, isso se traduz em resiliência reputacional e estabilidade percebida.
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O contexto brasileiro
No Brasil, esse risco ganha contornos próprios. A combinação de alta digitalização, decisões distribuídas e grande peso da reputação cria um ambiente propício para impactos rápidos.
O reforço recente de exigências regulatórias em segurança e continuidade sinaliza que confiança, resiliência e controle já fazem parte das expectativas formais sobre empresas que operam em setores sensíveis.
Conclusão
Em um ambiente onde informações falsas circulam mais rápido do que a verificação dos fatos, confiança deixou de ser apenas reputação — tornou-se um ativo econômico. Ataques de narrativa mostram que proteger dados não é suficiente; é preciso proteger clareza, coerência e governança. Empresas que compreendem essa dinâmica não apenas reduzem riscos, mas preservam valor em um mercado cada vez mais sensível à percepção.