Envio de lucros ao exterior bate recorde em dezembro antes de taxação entrar em vigor

O volume enviado ao exterior no mês ‌passado é mais que o dobro ‌do registrado em dezembro de 2024, quando foi observada uma remessa de US$ 8,8 bilhões

Reuters

Um cliente conta notas de dólares e de euro dentro de um bureau de câmbio na Turquia - 14/05/2020 (Kerem Uzel/Bloomberg)
Um cliente conta notas de dólares e de euro dentro de um bureau de câmbio na Turquia - 14/05/2020 (Kerem Uzel/Bloomberg)

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BRASÍLIA, 26 Jan (Reuters) – As remessas ‍de lucros ao exterior feitas ⁠por empresas que operam no Brasil somaram ‍em dezembro US$18 bilhões, volume mensal mais alto já registrado na série histórica iniciada ‌pelo Banco Central em 1995, às vésperas da entrada em vigor de uma nova taxação sobre essas operações, mostraram dados da autarquia nesta segunda-feira.

O volume enviado ao exterior no mês ‌passado é mais que o dobro ‌do registrado em dezembro de 2024, quando foi observada uma remessa de US$8,8 bilhões.

A partir de janeiro deste ano passou a valer uma retenção de 10% de ‌Imposto de Renda na fonte sobre todas as remessas de lucros enviadas para o ​exterior. A taxação foi proposta pelo governo e aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, junto com a isenção de IR para os trabalhadores que ganham até R$5.000 por mês.

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O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou que o aumento das remessas pode indicar uma antecipação de movimento ​das empresas ⁠pela questão ⁠tributária, mas também pode refletir resultados positivos das companhias no ‌ano em meio a uma atividade econômica resiliente.

Em dezembro, saídas líquidas de lucros reinvestidos ficaram em US$11,4 bilhões. Segundo ‍o BC, o valor negativo denota que a distribuição superou os lucros auferidos.

As ​remessas impactaram ‌o resultado de dezembro dos investimentos diretos no país, que ‍ficaram negativos em US$5,248 bilhões, contra entrada de US$160 milhões em dezembro de 2024. O valor foi o mais baixo para meses de dezembro da série histórica do BC.

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(Por Bernardo Caram)