Publicidade
A temporada de balanços do 4º trimestre de 2025 para os bancões terá início no próximo dia 4 de fevereiro, com a publicação do Santander Brasil (SANB11).
A maioria dos bancos deve apresentar volumes, receitas e qualidade de crédito saudáveis, aponta o Itaú BBA. O cenário macroeconômico e as projeções para o ano fiscal de 2026 devem indicar um crescimento de dois dígitos nos lucros. Entre os bancos analisados, a casa de análise está mais otimista em relação à consistência do Bradesco (BBDC4) neste trimestre e, provavelmente (conscientemente), estará no limite superior da faixa de lucro projetada.
“O Banco do Brasil (BBAS3) deve ser um contraste negativo, com desafios contínuos no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) devido aos custos de crédito persistentes; provavelmente estaremos no limite inferior da projeção de lucro para o ano fiscal de 2026″, avalia.
Oportunidade com segurança!
O Goldman Sachs continua a destacar positivamente o Itaú (ITUB4) entre os bancos brasileiros, levando em conta o ROE elevado e o crescimento saudável dos lucros. “Acreditamos que as tendências devem melhorar na maior parte do Brasil, mas o Banco do Brasil enfrenta as maiores incertezas em relação às provisões devido à perspectiva do crédito rural”, aponta a equipe de análise do banco americano.
A expectativa é de que os bancos brasileiros mantenham tendências semelhantes ao 3T25, com crescimento de empréstimos na faixa de um dígito médio a alto, crescimento da receita bruta e alíquotas de imposto ainda baixas (excluindo o Itaú). Volumes sazonalmente mais altos de cartões de crédito e crédito corporativo podem impulsionar ainda mais a receita de juros, enquanto a redução do número de dias úteis em relação ao trimestre anterior pode aliviar um pouco as despesas com juros.
O Itaú continua sendo o ponto fora da curva positivo (ROE de 23,7% no 4T25E), enquanto o Santander Brasil (SANB11; 17,4%), o Bradesco (14,6%) e, principalmente, o Banco do Brasil (8,5%) continuam apresentando resultados inferiores, avalia.
Continua depois da publicidade
“Esperamos que a divulgação das próximas projeções gere grande interesse dos investidores, especialmente em relação às mensagens sobre o crescimento da receita líquida de juros (NII) em comparação com o ciclo de flexibilização monetária, a eficiência e as provisões (principalmente referentes à carteira de crédito rural do Banco do Brasil)”, avalia.
Confira as expectativas para os bancões no 4º trimestre de 2025:
Santander Brasil (SANB11) – 4 de fevereiro, antes da abertura
A projeção do Bradesco BBI é de que o Santander Brasil apresente tendências semelhantes na receita em relação ao trimestre anterior, visto que a receita de Tesouraria provavelmente permanecerá sob pressão, enquanto a margem com clientes deverá expandir, juntamente com um crescimento anual de empréstimos de 3%.
Além disso, espera que o banco apresente tendências estáveis na qualidade dos ativos, com as provisões crescendo em linha com a carteira. Ademais, as tarifas e despesas operacionais deverão ser sazonalmente mais altas, levando a um crescimento antes dos impostos de aproximadamente 5% no trimestre, mas com uma alíquota efetiva de imposto mais alta, o que deve impactar o aumento no lucro líquido, com projeção de um número de cerca de R$ 4 bilhões.
Para o Itaú BBA, o Santander Brasil deve apresentar crescimento moderado da carteira de crédito, impulsionado por fatores sazonais, com expansão anual em torno de 3%, refletindo uma postura mais seletiva. As margens financeiras com clientes devem permanecer estáveis, enquanto resultados negativos da tesouraria devem pressionar o resultado de intermediação financeira.
Continua depois da publicidade
O custo de risco tende a ficar estável, apesar de leve alta da inadimplência, e o crescimento das receitas deve ser parcialmente compensado por despesas operacionais mais elevadas.
“Nesse cenário, estimamos lucro trimestral de cerca de R$ 4,1 bilhões, com ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 17,4%, beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto baixa. Como o banco não divulga guidance, revisamos a projeção de lucro para 2026 para R$ 16,9 bilhões, o que representa crescimento de 8%, refletindo margens financeiras ajustadas ao risco mais moderadas”, avalia o BBA.
O Goldman Sachs também projeta um lucro líquido recorrente de R$ 4,1 bilhões (+3% trimestre a trimestre, ou t/t, +33% ano a ano, a/a), com ROE subindo para 17,4%, ante 17,2% no 3T25 e 13,8% no 4T24.
Continua depois da publicidade
Além disso, espera que a receita líquida de juros cresça em um dígito médio, apesar do crescimento moderado de empréstimos (+3% t/t e +3% a/a), enquanto a receita líquida de juros do mercado permanece sob relativa pressão. A receita de tarifas também deve continuar a crescer (+6% t/t), impulsionada principalmente pelo aumento sazonal nos volumes de cartões e seguros.
Enquanto isso, projeta que as despesas operacionais cresçam abaixo da inflação a/a, levando a um melhor índice de eficiência. Por fim, ainda espera que a alíquota efetiva de imposto em um nível baixo de 10,0%, ante 4,4% no 3T25, limitando a expansão sequencial do resultado final.
Itaú (ITUB4) – 4 de fevereiro, depois do fechamento
Continua depois da publicidade
Já para o Itaú, o Bradesco BBI projeta lucro líquido de R$ 12,2 bilhões, em linha com as expectativas do mercado. O BBI acredita que o banco deverá acelerar o crescimento da carteira de empréstimos em relação ao trimestre anterior e poderá fechar o ano na extremidade inferior de sua projeção (4,5% maior em relação ao ano anterior), resultando em um crescimento da receita bruta de 1,4%, visto que a margem de juros líquida poderá sofrer pressão em relação ao trimestre anterior. Além disso, espera tendências positivas na receita de tarifas e uma qualidade de ativos ainda estável.
Enquanto isso, as despesas operacionais deverão ser ligeiramente maiores em relação ao trimestre anterior, levando a um crescimento antes dos impostos de aproximadamente 3%, aponta.
O Goldman Sachs espera uma expansão adicional do ROE, projetando mais um trimestre de crescimento dos lucros (+1% t/t, +10% a/a), impulsionado principalmente por taxas sazonalmente mais fortes (+4% t/t, +5% a/a). Além disso, espera que a receita líquida de juros cresça (+1% t/t) abaixo da carteira de empréstimos, em parte devido a resultados mais baixos de capital de giro. Adicionalmente, as provisões devem aumentar 3% t/t, mas o índice de custo de risco deve permanecer relativamente estável.
Continua depois da publicidade
As despesas operacionais também devem seguir estáveis t/t (+3% a/a), levando a uma maior alavancagem operacional. “Por fim, o ROE deve aumentar para 23,7%, ante 23,3% no 3T25 e 22,1% no 4T24, e permanecer como a maior rentabilidade entre os bancos tradicionais que cobrimos”, conclui o Goldman.
Bradesco (BBDC4) – 5 de fevereiro, depois do fechamento do mercado
O Bradesco deve apresentar um trimestre mais consistente, segundo o BBA. A projeção da equipe de análise é de um lucro de cerca de R$ 6,4 bilhões, correspondente a um ROE de 15%, o que representa melhora sequencial com boa qualidade.
A expansão da carteira de crédito, a estabilidade das margens ajustadas ao risco diante de níveis estáveis de inadimplência juntamente com o bom desempenho de serviços e seguros, devem compensar os investimentos contínuos em despesas administrativas. Para 2026, espera-se que o guidance indique lucros entre R$ 26 bilhões e R$ 30 bilhões, com ROEs entre 15% e 17%. “Nossa projeção é mais construtiva, especialmente para seguros e margens financeiras ajustadas ao risco, motivo pelo qual estimamos lucro de R$ 29,2 bilhões”, avalia.
A visão do Goldman Sachs é de uma expansão da receita líquida de juros com custo de risco sob controle, com a projeção de uma melhora modesta na receita líquida de juros (+3% t/t) juntamente com uma expansão moderada das provisões (+1% t/t), ambas abaixo do crescimento da carteira de empréstimos (+4% t/t), o que deve levar a uma leve redução no custo de risco (-10 bps para 4,5%).
“No entanto, esperamos que isso seja compensado principalmente por uma contribuição sequencial mais fraca dos seguros e maiores despesas operacionais, o que pode ser um dos principais riscos para os resultados até 2026”, avalia.
Enquanto isso, as taxas devem expandir ligeiramente (+1% t/t, +4% a/a). Consequentemente, o lucro líquido recorrente aumenta apenas 1% t/t (+16% a/a), com o ROE contraindo marginalmente para 14,6%, ante 14,7% no 3T25, mas acima dos 13,4% no 4T24.
Banco do Brasil (BBAS3) – 11 de fevereiro, depois do fechamento do mercado
Para o Banco do Brasil, o BBI espera lucro líquido de R$ 4 bilhões. A projeção é de crescimento da receita de 3,5% em relação ao trimestre anterior, com a expansão da carteira de empréstimos e das margens no trimestre, enquanto prevemos a estabilização das despesas com provisões em relação ao trimestre anterior.
Além disso, espera ligeiro aumento nas taxas e despesas operacionais em relação ao trimestre anterior, levando a um crescimento do lucro antes dos impostos de aproximadamente 12% em relação ao trimestre anterior. Por fim, espera que a alíquota efetiva de imposto do banco permaneça em território positivo.
O Itaú BBA acredita que o BB deva apresentar os números mais fracos entre os grandes bancos. “Projetamos lucro em torno de R$ 4,1 bilhões no trimestre, com ROE de aproximadamente 9%, refletindo a persistência de despesas com provisões, não apenas no crédito rural, mas também nos segmentos de pessoas físicas e pequenas e médias empresas”, avalia.
Já o guidance para 2026 deve apontar para lucros entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, ou ROE entre 11% e 13%, com uma recuperação mais concentrada na segunda metade do ano. “Nossa estimativa é de lucro de R$ 22,3 bilhões, assumindo uma abordagem mais conservadora em relação às provisões”, aponta.
O Goldman Sachs vê provisões provavelmente no limite superior do guidance do próprio banco, entre R$ 59-62 bilhões, com aumento de 1% t/t e 96% a/a. Além disso, a receita líquida de juros deve expandir modestamente, em linha com o crescimento da carteira de empréstimos (+2% t/t), com a receita de tarifas também maior (+3% t/t, -1% a/a).
“Enquanto isso, esperamos que o índice de eficiência se deteriore devido ao aumento das despesas operacionais (+4% t/t, +5% a/a). No entanto, o lucro recorrente deve crescer 2% t/t (-60% a/a), já que a empresa deve se beneficiar ainda mais de incentivos fiscais. Como resultado, esperamos que o ROE cresça 8 pontos-base t/t, para 8,5% (ainda bem abaixo dos 20,8% do 4T24)”, aponta o Goldman.
