Incidente com raio em ato de Nikolas recebe críticas e ameaça virar caso policial

Descarga elétrica durante caminhada liderada por Nikolas Ferreira deixou 72 feridos e abriu embate político sobre responsabilidade e organização do protesto

Marina Verenicz

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A descarga elétrica que atingiu manifestantes durante o encerramento da “Caminhada pela Liberdade”, em Brasília, no domingo (25), extrapolou rapidamente o campo do acidente e se transformou em um novo foco de tensão política no Congresso.

O episódio, que deixou 72 pessoas feridas, segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, provocou reações imediatas de parlamentares da esquerda e abriu caminho para possíveis desdobramentos judiciais.

Deputados de partidos governistas responsabilizaram politicamente o organizador do ato, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que liderou a mobilização iniciada em Paracatu (MG) e concluída na Praça do Cruzeiro, em Brasília.

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A deputada Erika Hilton afirmou que a condução da manifestação foi “irresponsável” e criticou a decisão de manter o ato mesmo diante das condições climáticas adversas, classificando o episódio como resultado de cálculo político.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, elevou o tom e anunciou que pretende acionar a Polícia Federal para apurar eventuais responsabilidades dos organizadores. Para o parlamentar, o caso não pode ser tratado apenas como fatalidade e exige investigação sobre falhas de planejamento e segurança.

Do outro lado, Nikolas Ferreira rejeitou qualquer vínculo entre o incidente e a organização do protesto. Em declarações a jornalistas em frente ao Hospital de Base do Distrito Federal, o deputado afirmou que o raio foi um evento natural e que não houve desordem ou negligência.

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Segundo ele, das vítimas encaminhadas para atendimento hospitalar, apenas duas permaneceram em observação, sem registro de casos graves.

Entenda o caso

O incidente ocorreu enquanto apoiadores aguardavam o encerramento do ato, em meio a chuva intensa. Ao todo, vítimas foram encaminhadas ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte, com pelo menos oito apresentando quadro inicialmente considerado instável, segundo os bombeiros.

A manifestação foi convocada em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, e contra as condenações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro de 2023.

A repercussão do episódio levou o Partido Liberal a divulgar nota de solidariedade aos feridos, agradecendo a atuação das equipes de resgate e classificando o ato como pacífico.