PT trata Haddad como plano A em SP e avalia que Lula avança para levá-lo à disputa

Titular da Fazenda resiste, mas partido avalia que candidatura é essencial na construção de palanque forte no maior colégio eleitoral do país

Agência O Globo

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Embora já tenha dito publicamente em mais de uma ocasião que não deseja disputar eleições em 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o plano A do PT para disputar o governo de São Paulo. Diante das resistências, o partido avalia outros cenários, mas o titular da pasta é a principal aposta da legenda para encabeçar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país.

Dirigentes do partido afirmam que, apesar da contrariedade do ministro, Lula tem avançado no processo de convencimento para que ele encare a campanha da qual saiu derrotado em 2022. Procurado, Haddad não se manifestou.

Em entrevista ao GLOBO,o ministro Camilo Santana (Educação) cobrou o colega de Esplanada a entrar na disputa em São Paulo. No entorno do presidente, no entanto, o cenário em São Paulo é visto como arriscado diante da boa avaliação do governador Tarcísio de Freitas, o que pode carregar votos para o candidato da chapa presidencial da oposição.

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— Haddad representa algo muito maior. Ele não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado hoje pelo presidente Lula. A gente precisa cumprir missões que muitas vezes, pessoalmente, a gente não queira — afirmou Santana.

Haddad tem afirmado que deseja participar da coordenação da campanha à reeleição e da elaboração do programa de governo. Petistas próximos a Lula afirmam que o presidente não assumirá a postura de forçar uma ou outra opção, mas tem atuado no processo de convencimento. Também pontuam que o passar dos meses e a proximidade do pleito contarão a favor dos planos de Lula. O presidente e o ministro mantêm conversas frequentes sobre a eleição.

Defensores da entrada de Haddad na chapa lembram que em 2022, quando tentou o Palácio dos Bandeirantes, sua candidatura foi essencial para que a distância de votos entre o Lula e o então presidente Jair Bolsonaro não fosse muito grande. O PT se preocupa em manter em São Paulo o patamar de votação semelhante ao alcançado entre Tarcísio e Fernando Haddad em 2022, quando o governador venceu por 55,27% dos votos, contra 44,73% de Haddad.

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Na última eleição, Lula fez 4,3 milhões a mais de votos no estado do que em 2018, quando Haddad concorreu à Presidência. Parte do entorno de Lula credita a vitória apertada do petista nas urnas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ao desempenho do petista em São Paulo.

O tom usado por Camilo Santana agradou o PT, mas contraria o que Haddad já vinha manifestando e reiterou há uma semana em entrevista à jornalista Míriam Leitão na GloboNews. Na ocasião, ele afirmou que estava fora dos planos concorrer em 2026, mas reconheceu que pode ser chamado a reavaliar a situação.

— Não tenho nenhum problema em conversar com o PT nem com o presidente — afirmou o ministro da Fazenda.

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O Planalto tenta desenhar uma chapa forte em São Paulo, ainda sem definir quem ocuparia cada função nas cadeiras para governo, vice e as duas do Senado. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também não deseja concorrer, é citado como uma possibilidade, assim como as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente). No caso de Tebet, ela analisa um convite do PSB para mudar de partido, já que pelo MDB é improvável uma candidatura em São Paulo associada a Lula, pela proximidade do partido no estado com Tarcísio.

Diante do cenário embaralhado em São Paulo, Camilo reforça que Haddad é parte de um “projeto nacional liderado por Lula” e que não é questão de “querer ou não querer”:

—Haddad cumpriu um papel importante em 2022 — disse Camilo — É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não.

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