Tesouro Direto: taxas têm queda firme com fluxo estrangeiro para ‘kit Brasil’

Taxas recuam por toda a curva, acompanhando mais um dia de forte entrada de capital externo em ativos locais

Paulo Barros

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As taxas dos títulos do Tesouro Direto operam em queda generalizada nesta sexta-feira (23), acompanhando o fortalecimento do apetite por risco no mercado local e o movimento de baixa dos juros no exterior, em um dia marcado por entrada de recursos estrangeiros em ativos brasileiros.

Às 15h31, os títulos prefixados apresentavam recuo relevante em relação à sessão anterior. O Tesouro Prefixado 2028 passou a pagar 12,97% ao ano, ante 13,02% na quinta-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 cedeu de 13,70% para 13,62%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2035 recuou de 13,82% para 13,71%.

Nos papéis indexados à inflação, o movimento também foi de queda ao longo da curva. O Tesouro IPCA+ 2029 passou de 7,89% para 7,85% de juros reais, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 caiu de 7,32% para 7,30%. No longo prazo, o Tesouro IPCA+ 2050 recuou de 7,01% para 6,94%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 passou de 7,33% para 7,28%.

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O recuo das taxas ocorre em paralelo ao avanço firme da bolsa brasileira, impulsionado pela atuação de investidores estrangeiros, e à leve queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior, o que contribuiu para reduzir a pressão sobre os juros domésticos.

Operadores relatam que, na ausência de notícias negativas relevantes sobre o Brasil, o mercado tem aproveitado o ambiente externo mais favorável para comprar ativos locais, o que se reflete tanto na valorização das ações quanto na redução das taxas dos títulos públicos, especialmente nos vencimentos mais longos.

Esse movimento tem sido associado ao chamado “pacote Brasil”, beneficiado pela rotação global de portfólios em direção a mercados emergentes e pelo arrefecimento das tensões geopolíticas recentes, incluindo a diminuição das preocupações em torno da Groenlândia.

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A queda das taxas desta sexta se soma ao movimento observado nas sessões anteriores, quando os títulos públicos já haviam registrado recuo, em sintonia com a valorização do real frente ao dólar e com o fluxo externo direcionado à bolsa brasileira.

Apesar do alívio recente, as taxas seguem em patamar elevado em termos históricos, sobretudo nos títulos atrelados à inflação de longo prazo, indicando que o mercado ainda mantém cautela mesmo em um ambiente de melhora no humor.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 15h31 desta sexta-feira (23):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0451%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0983%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202812,97%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,62%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,71%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 7,85%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,65%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,30%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,28%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,94%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,18%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)