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Líderes de tecnologia como Demis Hassabis, do Google DeepMind, e o CEO da Tesla, Elon Musk, descreveram a IA como um jogo de ganha-ganha para a sociedade; fazem promessas ambiciosas de que a tecnologia avançada permitirá turbinar a força de trabalho, curar cânceres e criar novos “empregos superbem pagos e superinteressantes” que não existiam antes.
Mas, em vez de se sentirem fortalecidos, muitos trabalhadores temem que seus empregos estejam em risco de automação — e a enxurrada de demissões em 2025 confirmou essas suspeitas.
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Um total impressionante de 1,2 milhão de cortes de empregos nos EUA foi anunciado no ano passado, alta de 58% em relação às cerca de 760 mil demissões de 2024, segundo um relatório recente da consultoria de emprego Challenger, Gray & Christmas.
Na verdade, 2025 registrou o nível mais alto de reduções de força de trabalho desde 2020 e ficou lado a lado com a crise financeira de 2008, quando 1,22 milhão de postos foram eliminados.
As maiores vítimas do banho de sangue dos cortes de pessoal do ano passado foram os servidores federais. Esforços extremos de redução de custos do Doge (Departamento de Eficiência Governamental), de Elon Musk, paralisaram agências inteiras, incluindo a Usaid, o Departamento de Educação e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos. No total, cerca de 308 mil empregos no governo foram cortados no ano passado.
Na iniciativa privada, o setor de tecnologia sofreu o golpe mais duro. No ano passado, a área anunciou que cerca de 154 mil funções seriam eliminadas, um aumento de 15% em relação aos quase 134 mil cortes de 2024. O culpado? A rápida implementação de IA — e a autocorreção do setor após a contratação excessiva na era da pandemia. Em 2025, a IA foi responsável por 54.836 planos de demissão no total; desde 2023, a tecnologia esteve ligada a 71.825 anúncios de cortes de empregos.
“A tecnologia passou a se voltar tanto para o desenvolvimento quanto para a implementação de inteligência artificial muito mais rapidamente do que qualquer outro setor”, observou o relatório. “Isso, somado à contratação excessiva ao longo da última década, criou uma onda de perda de empregos na indústria.”
Empresas de tecnologia estão enxugando vagas — especialmente da geração Z
Em um momento em que o setor de tecnologia cresce rapidamente e as empresas disputam para vencer a corrida da IA, pode parecer contraintuitivo que inovadores trilionários estejam dispensando talentos. Mas os CEOs têm sido francos sobre como as ferramentas de IA estão assumindo habilidades humanas e se preparam para mais mudanças na força de trabalho.
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A Microsoft demitiu 6.000 funcionários em maio passado e realizou outra rodada de 9.000 cortes em julho. Enquanto isso, seu CEO, Satya Nadella, anunciou que a IA já escreve de 20% a 30% do código da empresa; uma tecnologia tão poderosa que o negócio está financiando um investimento de US$ 80 bilhões em infraestrutura de IA.
No início do ano passado, a Meta também anunciou uma redução de 5% do quadro — afetando cerca de 3.600 funcionários — numa tentativa de “afastar mais rapidamente os de baixo desempenho”, segundo o CEO Mark Zuckerberg.
Isso ocorreu quando o bilionário da tecnologia admitiu que a IA estava à beira de “efetivamente se tornar uma espécie de engenheiro de nível intermediário”.
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O CEO da Amazon, Andy Jassy, também reconheceu em um memorando enviado aos funcionários no ano passado que a empresa “vai precisar de menos pessoas fazendo alguns dos trabalhos que são feitos hoje”. Apenas alguns meses depois, a Reuters informou que a Amazon planeja cortar até 30.000 postos.
Embora as demissões em tecnologia não sejam novidade, funcionários em início de carreira — que já enfrentam desafios para deslanchar profissionalmente — provavelmente sentirão mais o impacto das mudanças de força de trabalho relacionadas à IA.
A porcentagem de empregados entre 21 e 25 anos foi reduzida pela metade nas empresas de tecnologia nos últimos dois anos, segundo dados de 2025 da empresa de software de gestão de remuneração Pave.
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Em janeiro de 2023, esses funcionários da geração Z representavam 15% da força de trabalho em grandes empresas de tecnologia que estão na bolsa; em agosto de 2025, passaram a representar apenas 6,8%.
A situação também não é animadora nas grandes empresas de capital fechado de tecnologia — no mesmo período, a proporção de jovens da geração Z no início da carreira caiu de 9,3% para 6,8%.
“Se você tem 35 ou 40 anos e está bastante estabelecido na carreira, tem habilidades que sabe que ainda não podem ser substituídas pela IA”, disse à Fortune no ano passado Matt Schulman, fundador e CEO da Pave.
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“Ainda há muito julgamento humano quando se opera em níveis mais seniores. Se você é um jovem de 22 anos que costumava ser viciado em Excel ou algo assim, isso pode ser substituído. Então é quase como se fossem dois mundos diferentes.”
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