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Utilizando como exemplos milho, soja, cobre e petróleo, quatro relevantes commodities para o desenvolvimento econômico social, podemos observar que o lugar-comum tem fundamento. Sim, a China é um player relevante, um mercado importante para a variação de preços dos bens primários supracitados.
No caso do milho, a China é grande consumidor, o segundo maior do mundo (21% do total), mas também grande produtor, mais uma vez o segundo maior do mundo (22%), afetando menos o comércio internacional. Portanto, não podemos apontá-lo como responsável pela variação de preços, apesar de ser um agente relevante no mercado.
| “A presença da China nos relatórios e comentários dos analistas não é temporária” |
O caso da soja é o que melhor representa o novo papel da China no cenário econômico. Esta é responsável por 7% da produção total, porém, representa 22% da consumo. Fato este que o coloca como o segundo maior consumidor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Assim, o país compra no mercado internacional quase a metade do que é importado no mundo. Desta forma, a curva de demanda agregada do país torna-se um fator extremamente relevante para o acompanhamento dos preços deste bem.
Dinâmica semelhante pode ser observada nos casos do cobre e do petróleo, com papel mais relevante no primeiro. Em ambos os casos, os chineses produzem 6% do total mundial, enquanto consomem 12% do petróleo e 22% do cobre.
No caso do cobre, o papel é ainda mais preponderante. A China lidera o crescimento do consumo mundial, com aumento de 10% ao ano, e tem uma inserção cada vez maior no capitalismo industrial. Tendo isto em vista, as perspectivas são muito favoráveis, mesmo considerando um cenário um pouco mais pessimista de uma desaceleração de curto prazo. Para projeção e acompanhamento dos preços do cobre, um dos indicadores de maior relevância é o estoque de Shanghai, de periodicidade semanal. Recentemente, com a alta de preços do produto, a China diminuiu as importações, consumindo parte dos seus estoques.
O caso do petróleo não é muito diferente, embora a magnitude seja um pouco menor. Para caracterizar a importância da China, olhemos para o crescimento da demanda no mundo. Discriminando entre países da OCDE e não-OCDE, tivemos, entre 2004 e 2007, uma retração de 0,3% a.a. entre os desenvolvidos e crescimento de 3,6% a.a entre as economias em desenvolvimento. Da alta acumulada de 15%, um terço se refere à China.
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Ou seja, com essa nova ordem econômica, a presença da China nos relatórios e comentários dos analistas do setor não é temporária. Torna-se obrigatória a tarefa de esmiuçar os dados do país, a fim de compreender a dinâmica dos preços de commodities. Dei quatro exemplos, mas, poderíamos ter coletado as informações de outros quatro produtos que o quadro não seria distinto.
Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br