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SÃO PAULO – Em tempos de fragilidade na economia norte-americana, ameaçada pela iminência de um quadro recessivo e, em contrapartida, pelos crescentes riscos inflacionários, poucos eventos geram tanta apreensão e cautela nos mercados quanto a reunião do Federal Reserve acerca do juro básico do país.
A última deliberação do colegiado presidido por Ben Bernanke, em 25 de junho, pautou por deixar inalterada a Fed Funds Rate ao seu atual patamar de 2,00% ao ano, pondo fim ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em setembro do ano passado que reduziu o juro em um total de 325 pontos-base.
À época, prevaleceu a visão de que os riscos à atividade econômica do país haviam se amenizado – longe, contudo, de terem sido eliminados -, ao passo que o cenário inflacionário havia se deteriorado, impedindo, com isso, que os cortes na taxa básica de juro encontrassem prosseguimento.
Cenário econômico ainda nebuloso
Para a decisão a ser tomada nesta terça-feira (5), o mercado é quase consensual na aposta de mais uma manutenção da Fed Funds Rate, uma vez que a autoridade deve permanecer de olho “nos riscos crescentes à inflação e no ainda incerto ambiente econômico”, como afirmam os analistas do banco australiano Commonwealth.
De fato, a equipe do Unibanco acredita que a relativa melhora na atividade econômica – a qual se referiu o Fed em junho – não durou muito tempo, pelo contrário. Em visão semelhante, a Merrill Lynch destaca as crescentes tensões em torno do mercado de trabalho norte-americano, cuja taxa de desemprego não dá sinais de arrefecer sua expansão tão cedo.
No mesmo sentido, a LCA Consultores revela aspectos mascarados pelo resultado do segundo trimestre do PIB (Produto Interno Bruto) do país, que a olhos pouco cuidadosos, veio positivo ao superar as expectativas do mercado. “O primeiro ponto a ressaltar é que a principal contribuição veio do setor externo: sem esse impulso, o PIB dos EUA teria sofrido contração. Ademais, tal contribuição favorável decorreu, sobretudo, de uma aguda desaceleração das importações – sinal adicional de enfraquecimento da demanda interna”.
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Paralelamente, os mercados imobiliário e financeiro ainda estão longe de encontrarem uma solução para o momento de crise que vivem. “Em suma, o cenário para a economia norte-americana permanece nebuloso”, afirma a equipe do Banco Schahin.
Atenção ao comunicado e placar da decisão
Se os indicadores de atividade econômica não trouxeram números favoráveis, o mesmo pode se dizer acerca dos índices inflacionários, que continuam apontando uma disparada dos preços nos EUA de tal forma que, na visão do Santander, alguns membros do Federal Reserve votem nesta terça-feira por uma elevação da taxa básica de juro norte-americana.
Nesse sentido, mais do que a decisão em si, os holofotes dos mercados estarão voltados à divulgação do comunicado que acompanha a deliberação tomada pelo colegiado. “Riscos equivalentes e uma postura de “esperar para ver” são as mensagens mais possíveis de serem passadas pelo Fed ao mercado”, prevêem os analistas do Société Générale.
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Um tom mais pessimista é considerado improvável pela equipe do banco francês, que acredita que a autoridade monetária atente com bons olhos para a leve queda nas expectativas para a inflação no longo prazo. No mesmo sentido, a LCA vê no recuo apresentado recentemente pelos preços das commodities um fator de certa forma “tranqüilizador” ao Federal Reserve.
Possíveis mudanças no juro só em 2009
Para os próximos encontros do Banco Central dos EUA, analistas pouco convergem para uma perspectiva em comum, dado que, em tempos tão incertos, o acompanhamento dos próximos indicadores se faz essencial para quaisquer projeções. Entretanto, as equipes do Santander e da LCA antevêem uma Fed Funds Rate estável ao menos até o final do ano.
Apostando na interrupção do aperto monetário iniciado pelo BCE (Banco Central Europeu), fato este que deve amenizar as pressões de que postura similar fosse adotada nos EUA, “passamos a avaliar que o Fed só deverá promover ajustes em sua taxa básica de juro quando o ambiente macroeconômico e financeiro revelar alguma melhora – o que só deve ocorrer a partir de meados de 2009”.