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SÃO PAULO – Nouriel Roubini se considera um economista do mainstream, não um eterno pessimista. Até mostra visão positiva para o médio e longo prazos, com uma economia global mais balanceada. Já no que diz respeito ao curto prazo, o professor da Universidade de Nova York adota uma posição entre as mais negativas para os EUA.
Em entrevista à revista norte-americana Barron’s, Roubini afirma categoricamente que a crise financeira vai levar a perdas relativas ao crédito de pelo menos US$ 1 trilhão. “E provavelmente mais perto de US$ 2 trilhões”. Até agora, os bancos reportaram algo próximo de US$ 300 bilhões em baixas contábeis ligadas ao subprime.
O prospecto não é animador para ninguém: além dos bancos menores, cerca de um terço dos bancos regionais de porte médio enfrenta problemas, incluindo Wachovia e Washington Mutual. De acordo com Roubini, metade deste grupo vai fechar. “Até mesmo alguns dos maiores bancos podem acabar tecnicamente insolventes, embora sejam considerados grandes demais para falir”.
Já em recessão
Como não poderia deixar de ser, o professor está no time dos que consideram que os EUA já estão em recessão “severa e prolongada”, que começou no primeiro trimestre deste ano. O fato pode ser demonstrado pelo desempenho do mercado de trabalho, com o emprego caindo por sete meses consecutivos, além da renda e do varejo.
“Se você olhar os dados do PIB (Produto Interno Bruto) em base mensal entre fevereiro e abril, ele estava caindo. Dizer que isso não é uma recessão é brincadeira”. Conforme previsões do economista, essa recessão vai durar pelo menos 18 meses, até meados de 2009.
O começo de tudo
Quanto ao começo da crise, Roubini volta ao final de uma outra bolha para explicar a situação atual. Segundo ele, os danos começaram quando Alan Greenspan liderava o Fed. Nessa época, a autoridade monetária reduziu fortemente o juro básico entre 2001 e 2004, após o estouro da bolha tecnológica, terminando com taxa de 1% ao ano.
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A taxa ficou baixa demais, por tempo demais. E então, conforme explicado pelo professor, Greenspan optou por subir gradualmente o juro, ao invés de rapidamente, o que “alimentou as bolhas de crédito e imobiliária”.
Em relação à atuação do Fed nos últimos meses, Roubini critica a demora e lista dois erros principais da autoridade monetária: a crença de que era um problema apenas relativo ao subprime – enquanto envolve diversos outros títulos – e o fato de Ben Bernanke não ter acreditado que a crise poderia afetar o resto da economia.
Ações do Fed
Entre as principais críticas de Nouriel Roubini à atuação do Fed e dos órgãos reguladores está a substituição de uma negligência em relação à regulação do sistema financeiro por uma regulação muito apertada.
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De acordo com suas respostas à Barron’s, o professor acredita que os órgãos reguladores trocaram títulos do Tesouro norte-americano por títulos tóxicos. “Isso é privatizar os ganhos e lucros e socializar as perdas, como sempre”.
Se referindo à ajuda do governo a Bear Stearns, Fannie Mae e Freddie Mac, Roubini afirma que há formas mais justas de administrar esses problemas. “Algumas vezes é necessário usar recursos públicos para resgatar instituições, mas você faz isso de forma a não ajudar aqueles que cometeram os erros. Em todos esses episódios, o governo ajudou os acionistas, os detentores de títulos e, em algum grau, os administradores”.