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SÃO PAULO – Para melhor compreender a crise atual na economia japonesa, a Pimco, principal gestora mundial de bônus de emergentes, sugere uma comparação histórica entre a crise atual nos EUA e o problema da dívida pública no Japão de uma década atrás, e que atualmente é a maior do mundo.
Em síntese, primeiramente houve um colapso do sistema imobiliário japonês, núcleo da criação de crédito da nação. A seguir, ocorreu uma adaptação da dívida em excesso no setor empresarial do país, o que penalizou duramente as companhias da região.
Desta forma, a gestora nomeou o período de crise imobiliária como Fase 1 e o colapso das corporativas de Fase 2, apenas como ponto de referência. A crise econômica no Japão pode ser representada por dois picos substanciais, entre 1997-99 e 2001-03.
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Japão x EUA
Nos EUA, o consumo, principal força motriz do crescimento econômico, sofreu forte pressão devido à crise imobiliária e o colapso da habitação tem dado origem a uma severa retração nos mercados financeiros. E ainda, se esse estresse for incorporado na economia real através do setor empresarial, as financeiras devem enfrentar problemas ainda maiores.
Atualmente, o setor empresarial norte-americano sofre pressão relativamente menor, assim as turbulências da Fase 2 nos EUA podem ser menores do que aquelas vividas no Japão. Todavia, devido ao persistente déficit (deduzido de atividades comerciais) do país e ao dólar fraco, a situação pode tornar-se complicada.
Para onde olhar na Fase 2
Segundo a Pimco, nesta perspectiva, a crise do subprime que penalizou grandes bancos nos EUA e na Europa é apenas a ponta do iceberg, sendo que o verdadeiro teste está por vir. Ao medir o progresso nos EUA, deve-se estudar as tendências em alta nominal dos créditos hipotecários, lucros das companhias e as taxas padrão ao longo dos próximos três meses.
Sobre a vertente orçamental, alerta para as os debates sobre dívidas hipotecárias e sistemas de proteção para o segmento financeiro, amparados pelo dinheiro público.
Abrandamento econômico preocupa
Apesar disso, a instituição acredita que, na Fase 2 da crise global do mercado financeiro, os mercados de crédito japoneses sofreram ainda mais pressão face ao abrandamento econômico, resultando em uma forte retração nos lucros empresariais.
E ainda, os risco de abrandamento econômico na Ásia e outras economias emergentes, que têm sido relativamente inalterados pelos problemas com o subprime, podem crescer nos próximos meses devido ao acentuado aumento nos preços do petróleo e as pressões crescentes sobre a inflação e as taxas de juro.
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Finalmente, o agravamento dos fundamentos das empresas japonesas, especialmente as pequenas empresas e aquelas com baixas qualificações, pode conduzir a maiores custos para tomar crédito nos bancos, pressionando ainda mais seus resultados.