Conversa de Michelle com Moraes foi articulada por parlamentares; leia os bastidores

Ex-primeira-dama foi recebida pelo ministro na última quinta-feira

Agência O Globo

Michelle Bolsonaro deixa o hospital onde aguardava o marido, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que solicitou autorização para ser levado a um hospital para exames médicos após sofrer uma queda na sede da Polícia Federal. O pedido foi negado porque um médico da Polícia Federal considerou que, após o atendimento inicial, não havia necessidade de internação, segundo comunicado divulgado em Brasília, Brasil, em 6 de janeiro de 2026. REUTERS/Diego Herculano
Michelle Bolsonaro deixa o hospital onde aguardava o marido, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que solicitou autorização para ser levado a um hospital para exames médicos após sofrer uma queda na sede da Polícia Federal. O pedido foi negado porque um médico da Polícia Federal considerou que, após o atendimento inicial, não havia necessidade de internação, segundo comunicado divulgado em Brasília, Brasil, em 6 de janeiro de 2026. REUTERS/Diego Herculano

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A articulação que viabilizou o encontro da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira passada, foi articulada na véspera por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que levaram o pedido ao magistrado. No mesmo dia do encontro, o relator da ação da trama golpista determinou a transferência de Bolsonaro de uma sala na Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a Papudinha.

Segundo relatos feitos ao GLOBO, o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) e o senador Bruno Bonetti (PL-RJ) foram os responsáveis para negociar o encontro de Michelle. Altineu é um dos poucos nomes do PL a manter interlocução com Moraes e, durante uma audiência para tratar sobre visitas ao ex-presidente na sala da PF, levou o pedido da ex-primeira-dama.

Antes do encontro, o parlamentar havia comentado com Michelle que encontraria o ministro. A ex-primeira-dama, então, pediu que eles tentassem viabilizar uma audiência dela com o relator.

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Ao fim da conversa, os parlamentares levaram a solicitação a Moraes. O ministro sinalizou que poderia receber Michelle no dia seguinte, às 9h, mas fez uma exigência: o pedido de audiência deveria ser formalizado pelos canais oficiais. A partir daí, foi encaminhado um e-mail ao gabinete do magistrado, procedimento que selou o encontro, sem intermediações informais.

Foi essa formalização que consolidou o encontro de Michelle com Moraes poucas horas antes de o relator determinar a transferência do ex-presidente do espaço na Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, mais conhecido como “Papudinha”.

Na conversa, segundo interlocutores, Michelle apresentou um apelo centrado na condição de saúde do marido e descreveu episódios que, segundo ela, se intensificaram durante a custódia. A ex-primeira-dama citou crises de soluço durante a noite e afirmou que Bolsonaro estava em uma cela pequena, em condições que, em sua avaliação, agravariam seu estado de saúde.

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Ela também ressaltou que, na semana anterior, Bolsonaro sofreu uma queda e só teria recebido atendimento médico horas depois.

Exames médicos apontaram lesões em partes moles, sem comprometimento intracraniano. O médico Brasil Ramos Caiado, que acompanha o quadro de saúde do ex-presidente, afirmou que a lesão não era preocupante. Por outro lado, a transferência para a Papudinha permite acompanhamento médico 24 horas.

Além da audiência com Moraes, Michelle também buscou interlocução com outros ministros do Supremo. Ela esteve com o ministro Gilmar Mendes e pediu apoio para reforçar o pleito apresentado pela defesa de Bolsonaro, em especial a tentativa de concessão de prisão domiciliar.

Nos bastidores, bolsonaristas tentam apresentar a transferência para a “Papudinha” como um triunfo político e atribuem o desfecho à ofensiva de Michelle e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto ao Supremo.

A mudança, porém, ficou aquém do que o entorno do ex-presidente vinha defendendo, já que o objetivo central permanece sendo a prisão domiciliar. Ainda assim, aliados passaram a tratar o deslocamento como um “primeiro passo” para uma eventual reavaliação do regime de custódia.