Bernanke: se commodities continuarem em queda, inflação vai moderar

Presidente do Fed mostrou otimismo acerca das perspectivas para a inflação para o final deste ano e 2009, ante ao cenário atual

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SÃO PAULO – Um dos momentos mais esperados da sessão, o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no Fed de Kansas City, teve como grande destaque a inflação.

Embora secundárias em uma conferência que tinha a intenção de debater as estratégias para redução do risco sistêmico, as considerações de Bernanke sobre a alta dos preços figuram entre os fatores mais importantes do discurso.

Se a perspectiva para a economia é de enfraquecimento e declínio do crescimento, o risco inflacionário assusta menos, diante do movimento recente de queda das commodities.

Otimismo acerca da inflação

Conforme explicado por Bernanke, o Fed promoveu a forte flexibilização da política monetária, com o juro básico sendo cortado de 5,25% para 2% ao ano desde agosto de 2007 até agora, com expectativas de que o enfraquecimento da economia ajudaria a conter a alta das commodities.

“A este respeito, o recente declínio no preço das commodities, assim como a crescente estabilidade do dólar, tem sido encorajador”, afirma o presidente do Fed. Ele ainda completa, com certo otimismo, que se essa situação não se inverter, “esses desenvolvimentos devem levar a uma moderação da inflação no final deste ano e no ano que vem”.

Embora tenha reforçado a idéia de que a autoridade monetária está comprometida em alcançar a estabilidade dos preços no médio prazo, o otimismo acerca da inflação pode repercutir junto àqueles que apostam em novos cortes no juro básico do país.

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Redução do risco sistemático

Passando para o tema do discurso de Ben Bernanke, as novidades ficam por conta da sugestão de suas estratégias para a redução do risco sistemático. A primeira é o fortalecimento da infra-estrutura do sistema financeiro, que beneficiaria a economia tanto em cenários otimistas quanto em épocas de crise.

A segunda é a supervisão regulatória de instituições financeiras individuais, que aumentaria a resiliência dessas companhias. “Um regime de supervisão bem planejado complementa mais do que excede a disciplina de mercado”, reforçou o presidente do Fed.

Pedindo ação do Congresso

Bernanke também aproveitou para afirmar que o Congresso deveria conceder ao Fed uma autoridade explícita de supervisão de sistemas de pagamento e acordos, trabalho já realizado pelo órgão, mas sem reconhecimento legítimo.

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Outra sugestão é de que o Congresso reveja as regras acerca de participantes do mercado que pedem falência.

“Uma possibilidade seria conceder a uma agência – o Tesouro parece uma escolha apropriada – a responsabilidade e os recursos, sob condições cuidadosamente especificadas e em conjunto com os supervisores apropriados, para intervir em casos que falências iminentes de uma instituição financeira não-bancária sejam julgadas como oferecendo riscos sistêmicos significativos”, sugere Bernanke.