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Os fundos de crédito privado iam muito bem, até que a maré virou perto do fim do ano. A subclasse encerrou 2025 com captação líquida negativa após um volume expressivo de resgates em dezembro. Segundo dados da Anbima, no último mês do ano, as saídas somaram R$ 22,5 bilhões, revertendo o resultado do acumulado de 2025 para um saldo negativo de R$ 8,1 bilhões.
Nos fundos de infraestrutura, também houve saída líquida em dezembro, de R$ 2,4 bilhões, mas o segmento fechou o ano com captação positiva de R$ 49 bilhões, com entradas em 10 dos 12 meses, segundo a Anbima.
Apesar do movimento, o impacto sobre os preços dos ativos foi limitado. Em carta mensal publicada nesta semana, a Sparta afirmou que os resgates líquidos não tiveram “impactos relevantes nos preços, indicando que, de forma geral, as carteiras estavam bem líquidas”.
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O movimento de resgates no crédito ocorreu em um mês de ajuste mais amplo na indústria. Os fundos de renda fixa tiveram saídas líquidas de R$ 76,3 bilhões em dezembro, o pior resultado desde dezembro de 2024. Ainda assim, no acumulado de 2025, a renda fixa concentrou praticamente toda a captação da indústria de fundos, com entradas líquidas de R$ 84,3 bilhões, enquanto multimercados e fundos de ações encerraram o ano com resgates relevantes.
Na rentabilidade, os fundos de renda fixa das categorias Crédito Livre e Duração Livre renderam 0,90% em dezembro, abaixo do CDI de 1,22%, marcando o terceiro mês consecutivo de desempenho inferior ao índice. No acumulado do ano, esses fundos entregaram retorno equivalente a 98,3% do CDI. Já os multimercados superaram o CDI no mês, mas encerraram 2025 com desempenho de 87,5% do índice e resgates líquidos de R$ 59 bilhões.
Gestoras apontam que o comportamento dos fluxos foi determinante para o mercado de crédito ao longo do ano. A Sparta avalia que, mesmo com juros elevados pressionando os fundamentos das empresas, os spreads permaneceram comprimidos porque “o mercado operou muito mais guiado por fluxo do que por preço relativo”.
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No segmento de debêntures incentivadas, o ajuste ganhou tração no fim do ano. Em sua carta mensal, a Novus Capital afirmou que houve uma abertura de cerca de 7,5 pontos-base nos spreads em dezembro e destacou que, após a reversão do efeito tributário que impulsionou a demanda meses antes, “a correção continua”, indicando que ainda pode haver espaço adicional de ajuste.
Ano de cautela com crédito
Para 2026, as gestoras sinalizam maior cautela. A Sparta afirmou que a esperada queda da Selic pode melhorar gradualmente os fundamentos das empresas, mas também reduzir o suporte de fluxo para a renda fixa. “Não seria surpreendente observar uma distensão dos spreads justamente em um ambiente de fundamentos mais benignos”, escreveu a gestora.
Na mesma linha, a Novus destacou que os resgates recentes ainda não provocaram estresse maior porque os fundos mantêm níveis elevados de caixa, mas alertou que esse amortecedor pode diminuir se as saídas persistirem em um ano marcado por maior incerteza eleitoral.
Já a SulAmérica, em carta mensal, afirmou que, após a correção recente, voltou a ver valor em posições em juros nominais, enquanto a dinâmica do crédito tende a depender menos do fluxo e mais do comportamento da curva de juros ao longo de 2026.