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Embora a inflação em 2025 tenha fechado em 4,26%,dentro da margem da meta, o aumento dos preços do material escolar em meio ao endividamento das famílias deve comprometer as vendas em 2026.
A projeção é de um recuo de 5,9%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School. Em 2025, as vendas fecharam com um aumento de 2,7%, após uma forte queda de 8,2% em 2024.
Material escolar acumula alta acima do IPCA
De acordo com o Ibevar, os preços dos materiais escolares acumularam alta de 29,3% entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, enquanto a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 14,3% no período.
“A volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais duro do que o de 2025. O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e alta elasticidade à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios estruturais ligados à desigualdade de renda e ao encarecimento contínuo dos insumos educacionais”, afirma Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.
Leia também: Lista de material escolar: o que diz a lei e o que realmente pode entrar nessa conta?
Uniforme escolar em alta
Um item que pesa no bolso das famílias, de acordo com a pesquisa, é o uniforme escolar.
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Segundo o Ibevar, ele acumulou alta de 27,9% em 2026, o que estaria associado à retomada plena das atividades presenciais e à obrigatoriedade do item, o que limita o ajuste das famílias sobre a escolha de compra.
Orçamento apertado
De acordo com o Ibevar, a projeção menor de vendas para este ano reflete limitações orçamentárias, e não a falta de necessidade de compra de material.
Isso porque os itens essenciais, como canetas, lápis e papel sulfite, apresentam maior resiliência na projeção de vendas, enquanto produtos mais caros, como cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo, devem acumular quedas expressivas nas vendas.
Na análise por região, o Ibevar aponta que o impacto dos gastos com material escolar é maior nos estados do Norte e Nordeste, onde a renda é proporcionalmente menor para as famílias.
De acordo com o instituto, nessas regiões o gasto médio com material escolar compromete cerca de 35% a 40% da renda média mensal. Já nos estados de maior renda, a proporção fica abaixo de 25%.
A saída é reaproveitar material
Com essas limitações, o consumidor deve substituir marcas, reaproveitar material ou postergar as compras, especialmente entre as famílias de renda média e baixa, segundo o Ibevar.
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Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, aponta que oito em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar pretendem reaproveitar os materiais do ano passado, na medida do possível.
A estratégia é tentar limitar os custos associados ao início do ano escolar. Ainda assim, há desgastes financeiros. As categorias mais citadas são material escolar (89%), uniforme (73%) e livros didáticos (69%).
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Cerca de 88% dos brasileiros que vão às compras afirmam que os gastos afetam o orçamento familiar, percepção que é mais acentuada em famílias de menor renda.
Para 52% das classes D e E, o impacto é considerado muito grande. Entre as classes A e B, esse percentual cai para 32%.
Além disso, 84% dos entrevistados afirmam que os preços dos materiais escolares influenciam decisões em outras áreas, como lazer, alimentação ou contas do mês.