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Antes de chegar ao mercado financeiro, Maria Silveira vivia uma rotina que começava ao anoitecer e terminava de madrugada. Em Guaratuba, onde cresceu e trabalhou durante anos no comércio da família, ela conciliava cansaço físico, baixa remuneração e a percepção crescente de que sua vida não avançava.
Ainda assim, apesar de ser comunicativa e gostar do contato com as pessoas, recebia apenas R$30,00 por noite — valor que, no fim do mês, mal ultrapassava mil reais. Mesmo nesse cenário, acreditava que precisava permanecer ali, ajudando os pais e sustentando o que parecia ser seu destino inevitável. “Eu trabalhava a noite inteira por R$30,00”, relembra.
Maria Silveira foi a convidada do episódio 12 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast. Ela reviveu episódios marcantes da pandemia, período em que o comércio passou a operar por poucas horas e a renda da família despencou.
O primeiro passo fora de casa
Pela primeira vez, Silveira se viu diante da necessidade de tomar decisões difíceis. Deixar o trabalho dos pais parecia impossível emocionalmente, mas, ao mesmo tempo, permanecer significava abrir mão de qualquer chance de evolução. “Eu pensei que a minha mãe ia precisar de mim para sempre. Esse desmame foi terrível”, explica.
Quando finalmente decidiu buscar outro emprego, encontrou uma vaga que pagava R$75,00 por dia. À primeira vista, a mudança parecia representar um avanço concreto em relação à rotina anterior.
No entanto, pouco tempo depois, ela percebeu que a carga horária — das 10h até meia-noite — consumia toda a sua energia e eliminava qualquer traço de liberdade. Isso a fez questionar se trabalharia assim pelo resto da vida. O cenário ficou ainda mais desafiador quando sua esposa, que sempre esteve ao seu lado, também passou a sentir o peso da rotina. Diante disso, o casal começou a pedir, em oração e reflexão, algum tipo de direção.
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Foi então que sua esposa a acordou um dia trazendo uma ideia improvável: investir. Surpresa, Silveira não sabia como reagir, especialmente porque não tinham qualquer reserva financeira. Mesmo assim, ainda desconfiada, decidiu ao menos investigar do que se tratava.
A partir daquele momento, iniciou um processo de busca, ainda sem entender a profundidade da jornada que estava prestes a começar. “Eu falei: ‘Meu Deus, sem um puto nós vamos começar a investir como, né?’”, relembra.
Primeiros estudos e muita tentativa
Sem recursos para cursos pagos, ela começou pelos livros mais acessíveis e pelos inúmeros vídeos gratuitos disponíveis na internet. Rapidamente percebeu que o universo dos investimentos era maior do que imaginava — e que, dentro dele, existia algo chamado day trade, ainda completamente desconhecido para ela.
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Mesmo diante dessa limitação técnica, decidiu tentar. Comprou um teclado barato, mesmo representando quase quatro dias de trabalho, e começou a estudar gráficos sem nunca ter usado um computador para algo semelhante. “Nunca tinha pego num computador na vida”, afirma.
Silveira iniciou suas operações pelo mini-índice, mercado que descobriu após passar por opções binárias e entender que precisava de algo mais técnico e menos aleatório. Como muitos iniciantes, vivenciou o ciclo de euforia e frustração em sequência: lucros rápidos seguidos por perdas ainda maiores.
Em uma das primeiras semanas, dobrou sua conta. Na semana seguinte, perdeu tudo. Ainda assim, seguia acreditando que havia algo ali para ser compreendido. “Dobrei na primeira semana. Na próxima semana quebrei. Por muito tempo foi assim”, relata.
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O momento de consciência
Com o tempo, quanto mais estudava, mais Silveira percebia que precisava desenvolver disciplina, leitura contextual e entendimento sobre como o preço se movimenta. A intuição inicial já não bastava. Foi somente quando começou a encarar o gráfico como uma linguagem visual que seu aprendizado se acelerou.
Ela entendia que, para mudar de vida, também precisaria mudar a forma como pensava, agia e reagia diante do mercado. “Tudo começa pela mentalidade. Hoje eu tenho noção de que isso é muito verdade”, observa.
A partir desse amadurecimento, por sua vez, Silveira percebeu que o day trade não era apenas uma alternativa financeira. Tornava-se, naquele momento, uma possibilidade real de autonomia e reescrita de identidade.
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Sua rotina deixou de ser definida pelo relógio comercial da madrugada. Passou a ser construída por escolhas próprias, por responsabilidades voluntárias e por um senso crescente de realização.
Essa nova fase marcou não apenas a consolidação de uma trader, mas o nascimento de alguém que, pela primeira vez, podia olhar para o futuro com clareza. “Eu pensei: ‘Cara, isso aqui é para mim’. Eu adorei”, conclui.
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