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SÃO PAULO – A trajetória de valorização do dólar ante à moeda brasileira desafia projeções e seguiu à toda nesta quinta-feira (18), sua quarta alta consecutiva. O patamar apresentado pelo dólar comercial no fechamento da sessão é, novamente, o maior desde 11 de setembro do ano passado.
A disparada da divisa veio na contramão do clima nas praças financeiras, que diferentemente do último pregão, desfrutaram de um clima relativamente ameno, no encalço da injeção de capital bilionária anunciada pelo Fed em conjunto com outros grandes bancos centrais do mundo, como o BCE (Banco Central Europeu).
Na visão de Reginaldo Galhardo, analista da corretora de câmbio Treviso, “a valorização do dólar no mercado cambial brasileiro já deixou de ser um simples acompanhamento da crise financeira e claramente passou, nos últimos dias, a uma forte especulação dos investidores contra o real”.
BC também interveio
Mas não foram só as autoridades monetárias externas que intervieram no mercado nesta quinta-feira. Há pouco, o Banco Central brasileiro anunciou a realização de leilões de venda de dólares com compromisso de compra futura, a fim de prover liquidez ao sistema. “A operação nada mais é do que um leilão de swap reverso, feito pela última vez pelo BC em 2003”, afirma Galhardo.
“Existe, não há dúvida, uma questão de liquidez em dólares, à medida que há um problema de liquidez no sistema financeiro norte-americano. Isso se reflete, evidentemente, nas linhas interbancárias de dólar”, disse Meirelles a jornalistas em Nova York nesta tarde.
“Em função disso, o Banco Central do Brasil tomou a decisão hoje de promover leilões de venda de dólares conjugado com uma compra futura. O BC vai estar, portanto, provendo liquidez no mercado interbancário de moeda estrangeira”, reiterou Meirelles.
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Efeitos restritos
Para Galhardo, tal medida já era de certa forma esperada pelo mercado. “O BC manteve-se ausente nos últimos dias, tendo interrompido suas quase tradicionais compras de dólares e dando origem, desta forma, às especulações”. Ainda assim, o anúncio dos leilões não deixa de surtir efeito sobre as negociações da moeda.
A alta do dólar chegou ao ápice de 5,03% no intraday desse pregão, tendo arrefecido sensivelmente nos minutos finais da sessão. Todavia, os efeitos devem ficar mesmo restritos ao curto prazo.
“A operação deve trazer, sim, uma maior tranqüilidade ao mercado cambial na próxima sexta-feira. Mas muito provavelmente, somente na próxima sexta-feira”, prevê o analista.
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Confira as cotações
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,9190 na compra e R$ 1,9210
na venda, forte alta de 2,89% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,0000, um ágio de 4,22%
em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o dólar acumula valorização de 17,49% em setembro, frente
à alta de 4,54% registrada no mês passado.
No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 8,16%.