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SÃO PAULO – Se todos os passos tomados para melhorar a situação dos mercados norte-americanos falharam até agora, a nova medida proposta pelos líderes econômicos dos EUA toma ares de urgência.
Na última sessão, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, falaram ao Congresso sobre a possível criação de uma nova firma, para a qual seriam transferidos os títulos podres que pressionam os balanços das instituições financeiras norte-americanas.
“A raiz dos problemas nos mercados de capital é a correção no setor imobiliário e o que está acontecendo em termos de declínio de preços nesse setor”, afirmou Paulson à imprensa após a reunião. O secretário do Tesouro completou, afirmando que eles estão trabalhando em “uma solução ativa visando o centro do problema, que são os ativos ilíquidos nos balanços das instituições financeiras”.
O Tesouro também anunciou nesta manhã a aprovação de um programa temporário de garantia para o mercado de fundos mútuos norte-americanos. De acordo com o comunicado do departamento, o Tesouro irá assegurar, pelo próximo ano, os títulos de qualquer fundo elegível, que pagar as taxas para participar do programa.
Mais medidas
Outras opções que estão sendo consideradas pelo mercado é o estabelecimento de um fundo de US$ 800 bilhões para comprar os ativos podres e a separação de uma quantia de US$ 400 bilhões no FDIC (Federal Deposit Insurance Corp) para assegurar investidores em fundos mútuos.
Além disso, a forte queda vista nos últimos dias nos mercados norte-americanos assustaram os órgãos reguladores. Se na última sessão a expectativa era de que a SEC (Securities and Exchange Comission) apertasse as regras contra posições short (vendidas) descobertas, agora o órgão anunciou a proibição de tal operação.
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Mas será que o governo pode fazer isso?
Se a pergunta tem a ver com poder, então a resposta é sim, ele pode. Mas a grande questão é o impacto fiscal das medidas a médio prazo, ainda que o governo norte-americano apresente uma relação dívida sobre PIB (Produto Interno Bruto) inferior a outros países desenvolvidos – no Japão, por exemplo, essa razão supera 100%.
Somente nas duas últimas semanas, o governo norte-americano estatizou as duas agências de financiamento hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac e a seguradora AIG, sem contar as medidas acerca da Bear Stearns.
Ademais, o Tesouro se comprometeu a comprar até US$ 200 bilhões das ações de Fannie e Freddie para mantê-las solventes, enquanto planeja comprar US$ 5 bilhões em títulos relativos ao mercado hipotecário neste mês, em uma medida emergencial.
Isso tudo se soma às medidas do Fed, que nesta semana concordou em uma extensão de empréstimo de US$ 85 bilhões para a AIG.
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Cabe ressaltar que a expectativa por uma nova ação do governo norte-americano e a injeção de liquidez dos Bancos Centrais na última sessão impulsionaram uma alta expressiva nos mercados globais. E, ao que tudo indica, nesta sexta-feira (19) os ânimos devem continuar positivos.