Demanda menor e dólar forte derrubam preços de commodities, dizem analistas

Embora maior parte dos produtos acumule forte queda desde o meio de 2008, alguns - como a celulose - resistem às incertezas

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SÃO PAULO – Durante muito tempo, o investidor acostumou-se a ouvir as expressões “mercados de commodities” e “apertados” sempre conectadas. Com a intensificação da crise financeira em nível global, a análise parece cada vez mais distante da realidade e dos preços – cada vez mais baixos.

Segundo os analistas, uma das principais razões para as menores cotações é a redução das expectativas para o crescimento econômico em regiões desenvolvidas, como Europa, Estados Unidos e Japão.

Globalização

No entanto, depois de seguidos anos ouvindo sobre o acelerado crescimento chinês e o consumo brutal de recursos básicos da sua economia, tal afirmação pode soar contraditória, ou no mínimo estranha.

Segundo explicam os analistas do BMO, além da redução natural no consumo dos países desenvolvidos, existem reflexos desfavoráveis sobre o crescimento dos países emergentes, o que certamente impactará a demanda global de modo negativo.

Cenário amplo

Ao passo em que o plano de ajuda nos EUA tenha conferido certa tranqüilidade aos mercados, não se pode negar que permanecem grandes as dificuldades. “Os eventos na última semana intensificaram riscos de queda no cenário econômico internacional”, ressalta o analista David Moore, do banco Commonwealth.

Importantíssimo na formação de preços, o valor relativo do dólar – moeda padrão em transações internacionais – tem sido responsável por muitas das flutuações recentes. Segundo o BMO, a recuperação da moeda desde o mês de julho, quando registrou seu último fundo, foi “catalisadora” da recente desvalorização das commodities.

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A evolução dos preços nos últimos anos foi tão impressionante que os preços do barril de petróleo recuaram mais de US$ 50 desde seu pico no meio de 2008 e ainda assim continuam em patamar mais elevado que o encontrado há um ano.

“O sentimento no mercado de petróleo passou de ‘bullish’ para ‘bearish’. Assim como os mercados ultrapassaram os fundamentos para cima, podem fazer o mesmo para baixo”, ressalta o BMO em relatório.

Promoção de ajustes

Com outra commodity importante para o mercado brasileiro, o níquel, a tendência de queda permanece, mesmo após as cotações terem atingido nível inferior ao registrado no mesmo período em 2007. Neste caso, os aparentemente favoráveis preços altos teriam levado os consumidores a utilizar seus estoques e substituir o metal por outros produtos.

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Exceção à regra, a celulose permanece no nível mais alto atingindo em mais de uma década. No entanto, os analistas entendem terem sido fundamentais os cortes de produção, evitando a ocorrência de um excesso de oferta no mercado. Ainda assim, os analistas prevêem leve declínio dos preços até o fim de 2009.