Paulson pede pressa ao Congresso, ressaltando risco de mais falências

No mesmo tom de Bernanke, o secretário do Tesouro falou sobre as conseqüências negativas da demora na aprovação do plano

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SÃO PAULO – Situações extremas pedem medidas extremas. Se o discurso do secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, ao Congresso pudesse ser resumido em uma frase, seria esta. Assim como fez nesta manhã o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, Paulson voltou a pedir rapidez na aprovação do plano de ajuda às instituições financeiras pressionadas pela crise.

Revisitando diversos pontos tocados na coletiva de imprensa sobre o anúncio oficial da medida, o secretário do Tesouro declarou que, se a situação persistir, ela ameaçará todos os segmentos da economia, já que “cada negócio nos EUA se apóia no capital que flui através do sistema financeiro”.

Segundo Paulson, a proposta de comprar os ativos ilíquidos das instituições financeiras permitiria o uso desses mecanismos disponíveis no mercado também para bancos pequenos e instituições de crédito e não só para grandes firmas.

Pior para o contribuinte

Em relação a um dos principais pontos que atrasam a aprovação da medida, a preocupação com o peso que o plano de US$ 700 bilhões teria para o contribuinte, Paulson afirmou que a proposta beneficiaria toda a população, principalmente diante do fato que a crise ameaça o bem-estar econômico coletivo.

“Eu estou convencido de que esta abordagem audaciosa custará às famílias norte-americanas muito menos do que a alternativa – uma contínua série de falências de instituições financeiras e mercado de crédito congelado, incapaz de financiar as necessidades cotidianas e a expansão da economia”, argumenta o secretário do Tesouro.

De acordo com suas declarações, o plano foi analisado internamente durante muitos meses e, à medida que as outras ações do Fed e do Tesouro não foram suficientes para amenizar ou resolver a crise, agora ele se faz necessário para prevenir um aprofundamento ainda maior dos problemas.

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Resolvamos de forma rápida

Utilizando expressões como “risco à saúde da economia”, “tempos extraordinários” e “solução legislativa urgente”, Paulson pediu aos congressistas que se concentrem na seriedade do problema, deixando em segundo plano provisões que não têm muito apoio ou que não estão relacionadas ao plano e que estão atrasando o processo de aprovação da medida.

Como argumento, Henry Paulson também citou a ação rápida e efetiva dos legisladores para a aprovação do pacote de estímulo no primeiro semestre, pedindo que o Congresso repita a atuação diante de uma situação que é ainda mais desafiadora.

“Agora, todos nós estamos focados na necessidade imediata de estabilizar nosso sistema financeiro, e eu acredito que dividimos a convicção que isto é do maior interesse a todos os norte-americanos”, concluiu Paulson. “Agora vamos trabalhar juntos para resolver isso”.