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SÃO PAULO – Com visão fundamentalista acerca das empresas investidas, a GAS Investimentos tem uma proposta clara quanto a participação no conselho de administração das companhias que possui participação.
“Buscamos selecionar profissionais que possam agregar valor na empresa, não é simplesmente uma pessoa para olhar o que está acontecendo”, explica o analista e gestor da administradora de recursos, Luiz Liuzzi.
Sobre a presença no conselho fiscal, a resposta é enfática: “se não estamos confortáveis com a honestidade da gestão o caminho mais fácil é vender a posição do que colocar alguém lá dentro”, explica.
Veja mais detalhes sobre como um gestor de fundos de ações escolhe as empresas nas quais investe, além de como é feita a decisão de vender a posição em uma companhia investida:
InfoMoney – Os investidores que escolhem administradoras de recursos normalmente desejam um retorno maior do que o do mercado. Neste caso, acima do Ibovespa. Como é feita a escolha das empresas em que o fundo investe?
Luiz Liuzzi – Somos um fundo fundamentalista, que olha para as perspectivas da empresa que compramos ações. Por isso a nossa análise é resumida em: entender o cenário no qual a empresa opera, o ambiente setorial, competitividade, qualidade do management e as forças e fraquezas da companhia.
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| Luiz Liuzzi, analista e e gestor da GAS Investimentos |
Este é o primeiro passo. O segundo é o preço. É feita uma análise para verificar quanto a empresa deveria valer e qual o valor que está sendo negociado em Bolsa, para identificar o desconto. Resumindo, queremos comprar papéis de empresas boas, bem posicionadas dentro do mercado e que estejam avaliadas a um preço barato.
Preenchendo estes dois requisitos a empresa passa a ser uma boa candidata para fazer parte do nosso portfólio. Acreditamos que, no longo prazo, caso a gente escolha corretamente as empresas, poderemos ter um retorno médio acima do mercado. A média geral de uma empresa no portfólio é de um ano.
Em momentos turbulentos como este alguma oportunidades podem aparecer, principalmente na questão do preço. Como definir se os investimentos serão realizados em uma nova empresa ou nas já investidas?
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Precisamos sempre buscar a composição ideal para entregar a performance buscada. Os questionamentos são diários e constantes. As ações em carteira realmente refletem a nossa perspectiva ou existe algum papel que está fora que poderia entrar para agregar mais valor?
Em um momento como este você tem razão. Aparecem muitas oportunidades. Eventualmente algum papel que gostávamos e estava muito caro, por causa de um sell-off passa a ser mais interessante do que um outro que estava na nossa carteira. Mas tem que ser uma diferença entre as duas performances, porque obviamente quando há uma queda do mercado, a maior parte dos papéis vai junto.
Se há uma desvalorização generalizada, a atratividade do papel que já existe em carteira também aumenta. Em média, nestes momentos, não costumamos trocar de posição. Mas isso não é uma regra. É importante lembrar que fundos que não estão 100% alocados têm sempre um espaço de caixa disponível.
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Como o nosso fundo é “long only”, estamos a maior parte do tempo quase 100% comprados, portanto esta opção de comprar papéis novos é limitada. Às vezes fazemos algum caixinha para comprar papéis, mas isso é raro acontecer. É mais comum fazer uma realocação de papéis.
Agora, falando de um investidor pessoa física, que tem dinheiro em outros instrumentos como renda fixa e de fundos DI, esta é uma bela oportunidade para se entrar no mercado acionário. Na verdade, esta é a melhor oportunidade.
Muitos fundos com o tempo passam a dispor de grande participação nas empresas investidas, o que abre um caminho para a participação nos conselhos de administração. Como a GAS seleciona profissionais para participar nos conselhos?
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Essa é uma questão que é analisada caso a caso. Algumas empresas, vemos que é interessante ter um membro no conselho, e outros casos não achamos necessário porque pode até atrapalhar a relação do fundo com a empresa. Buscamos selecionar profissionais que possam agregar valor na empresa, não é simplesmente uma pessoa para olhar o que está acontecendo.
Alguns fundos avaliam que a participação no conselho fiscal das companhias é muito importante para o negócio, especialmente para a redução de custos e aprimoramento da Governança Corporativa. Como você avalia esta questão?
Se a gente não tem confiança para investir na empresa e ficar tranqüilo preferimos nem ter a posição. A posição do conselheiro é para agregar valor, nunca para tirar uma desconfiança com a gestão. Se não estamos confortáveis com a honestidade da gestão o caminho mais fácil é vender a posição do que colocar alguém lá dentro.
Como é a decisão de sair ou não de uma empresa; esta decisão é informada aos cotistas? A decisão passa por um processo tão intenso quanto a decisão de entrada em uma empresa?
É tão complexo quanto o processo de entrada. Uma vez investidos em um papel passamos a um acompanhamento muito próximo. Visitamos a empresa, acompanhamos os resultados, etc. Mas volto agora a sua pergunta inicial sobre como escolhemos um investimento. Falei sobre dois pilares: se a empresa é um bom negócio e está avaliada a um bom preço. Caso qualquer um dos dois tenha uma mudança substancial, é um sinal de saída do papel.
Ou seja, se os fundamentos da empresa se deterioram, ou se o papel da empresa teve uma valorização acima do que consideraríamos justo.