“Sell in May”: conheça o ditado de Wall Street em que maio é mês de perdas

Para analistas, crença não possui validade estatística; atenção aos eventos do mercado para fisgar oportunidades

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SÃO PAULO – Existe um velho ditado em Wall Street chamado “sell in May and go away”. À parte do trocadilho fonético, tal estratégia que recomenda a venda de ações no quinto mês do ano realmente existe, e de fato é adotada por muitos investidores norte-americanos.

O ditado encontra respaldo na crença de que, com a chegada do verão, que no Hemisfério Norte ocorre por volta do meio do ano, o volume de negócios nas principais bolsas norte-americanas cai em decorrência de muitos investidores aproveitarem a época para saírem de férias, inclusive do mercado de ações.

Outro fator que sustenta tal estratégia tem base no desempenho inferior das grandes companhias varejistas, uma vez que passadas as festas de final de ano, muitos norte-americanos aproveitam o verão para reequilibrarem suas finanças pessoais, diminuindo suas taxas de consumo.

Série de coincidências

No entanto, a crença de que o semestre compreendido entre os meses de maio e outubro é consideravelmente pior à renda variável do que o período entre novembro e abril é repelida por diversos analistas.

Entre os elementos que invalidariam tal estratégia estaria a adoção de um intervalo de tempo muito curto, que impede a formulação de pressupostos estatísticos verossímeis. Com isso, a queda mostrada pelas bolsas a partir de maio seria ocasionada por um conjunto de fatores temporais. Apenas uma série de coincidências.

De fato, nos dez últimos verões ocorridos no Hemisfério Norte, o índice de ações norte-americano S&P 500 teve um desempenho estável: em cinco deles, houve valorização, ao passo em que a outra metade significou ao benchmark um semestre de perdas.

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Além disso, se maio fosse efetivamente um mês de queda, toda a teoria econômica pautada no conceito de expectativas racionais seria inócua. Se o investidor é racional e sabe que maio é um mês de perdas, vende suas ações já no final de abril. O comportamento seria seguido em nível agregado e as cotações atingiriam níveis muito baixos, impedindo quedas adicionais no quinto mês do ano.

Esqueça ditados; atente para os fatos

Nesse sentido, analistas acreditam que, mais do que olhar para um velho ditado que permanece quase que inerte em Wall Street, é necessário sim atentar para os eventos em destaque nos mercados, isto é, o crescimento econômico norte-americano, a aceleração inflacionária no país, o rumo da Fed Funds Rate, a obtenção do investment grade pelo Brasil.

Além das referências econômicas, é válido ficar de olho no noticiário corporativo, em evidência por conta da temporada de divulgação de resultados. E com empresas dos setores de tecnologia e energia dos EUA trazendo bons números aos investidores, maio pode surpreendentemente se revelar um mês promissor para o mercado bursátil dos EUA.