Títulos públicos, CDBs e CRIs: os melhores títulos de renda fixa para 2026

Especialistas recomendam papéis atrelados à inflação, prefixados e CDBs para o próximo ano

Leonardo Guimarães

(Freepik)
(Freepik)

Publicidade

Os títulos de renda fixa foram, mais uma vez, o porto seguro dos brasileiros ao longo de 2025. Mesmo com volatilidade, os papéis do Tesouro Direto, CDBs e títulos de crédito privado entregaram retornos interessantes aos investidores. Mas será que a história vai se repetir em 2026?

Em 2025, a ameaça do fim da isenção de produtos incentivados mexeu com os retornos da renda fixa. “Para 2026, o cenário ainda apresenta desafios, mas abre espaço para oportunidades, especialmente para investidores que priorizam estratégias de carrego e diversificação”, diz a XP, em seu relatório Onde Investir 2026. 

O InfoMoney ouviu especialistas em renda fixa, que recomendaram papéis atrelados à inflação, títulos bancários e privados para investir em 2026. Confira: 

Continua depois da publicidade

Tesouro IPCA+ 

Os títulos de inflação do Tesouro Direto estão entre as preferências do Inter para 2026. “Acreditamos que a inflação deve continuar recuando, bem como os juros, o que deve gerar marcação a mercado muito positiva nesses títulos”, diz Rafael Winalda, especialista em renda fixa do banco. 

O papel com vencimento em 2045, com pagamento de juros semestrais, é a principal aposta de Winalda para o próximo ano, mas o Tesouro iPCA+ 2029 também é uma boa alternativa, segundo o especialista. 

Tesouro Prefixado

Polemicos e arriscados, os prefixados são recomendados por Thiago Azevedo, sócio da Guardian Capital. Eles podem ser usados “de forma tática, com prazos curtos, aproveitando taxas ainda elevadas”, segundo o executivo. 

Os papéis mais longos devem ser evitados, por enquanto, segundo Azevedo. A justificativa é que os títulos com vencimento distante são mais sensíveis à marcação a mercado, o que eleva significativamente o risco a alocação. 

CDBs prefixados

Com a expectativa de um ciclo de queda da Selic a partir do início de 2026, os ativos prefixados se destacam. Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, aconselha levar os prefixados bancários até o vencimento e “nunca ficar fazendo trade de renda fixa”. 

Os CDBs com vencimento entre dois e três anos compõem a “parte mais sadia da curva” atualmente, segundo o especialista: “você consegue encontrar um CDB de banco médio com uma boa taxa hoje, acho que faz todo sentido”. 

Continua depois da publicidade

CRIs 

Para Gabriel Santos, especialista de investimentos de research e estratégia da Bloxs, os instrumentos lastreados em ativos reais voltam a ser protagonistas em 2026. “Estamos otimistas com CRIs voltados a término de obras e loteamentos em regiões de forte crescimento urbano e projetos com performance comercial sólida e garantias robustas”.

A tese tem como principal argumento o ciclo de queda de juros, que deve destravar financiamentos imobiliários e permitir que fundos imobiliários aumentem capital para novas aquisições, o que vai gerar liquidez e valorização para os CRIs, segundo Santos.

Debêntures

Mesmo com as quedas esperadas em 2026, a Selic deve permanecer alta ao longo do próximo ano, o que impacta companhias posicionadas em setores intensivos de capital, que precisam se endividar mais para fazer investimentos. No entanto, “os balanços corporativos, de modo geral, seguem sólidos, com alavancagem controlada e liquidez preservada”, destaca a XP, no relatório Onde Investir 2026. 

Continua depois da publicidade

Camilla Dolle, head de renda fixa da XP, e Mayara Rodrigues, analista de renda fixa da casa, argumentam que “é recomendável focar em setores mais previsíveis – como energia e saneamento –, que oferecem perfil resiliente, enquanto segmentos cíclicos podem enfrentar maior pressão”. 

Azevedo, da Guardian Capital, reforça que “quando faz sentido entrar (no crédito privado), o foco está em empresas de setores essenciais, como energia e infraestrutura, com fluxo de caixa previsível e baixa alavancagem”. Para ele, no entanto, títulos emitidos por essas empresas devem ocupar espaço “complementar” nos portfólios.