China eleva preços de combustíveis fósseis visando conter demanda interna

Medida alivia pressão sobre refinarias chinesas e influencia queda do petróleo; analistas esperam inflação maior

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SÃO PAULO – A China comunicou na última quinta-feira (19) que elevará os preços domésticos dos combustíveis fósseis e da energia elétrica. Os reajustes na gasolina, diesel e querosene de aviação serão de 17%, 18% e 25%, respectivamente.

A intervenção governamental no segundo maior consumidor de petróleo do mundo tem como finalidade reduzir o consumo e conter o crescimento do país, além de aliviar as pressões sobre as refinarias, que operavam com prejuízo por não poderem repassar aos consumidores a alta do petróleo.

Inflação doméstica crescente

De acordo com Francisco Blanch, chefe de pesquisa para commodities da Merril Lynch, “a medida elevará a inflação na China, mas contribuirá para aliviar as pressões inflacionárias ao redor do mundo”.

Paul Donovan, analista do UBS (Union Bank of Switzerland), também acredita num aumento dos preços chineses. Todavia, Donovan projeta que a demanda chinesa por petróleo poderá aumentar, por acreditar que os subsídios fornecidos pelo governo mascaravam um excesso de demanda latente.

Ademais, o Commonwealth Bank of Australia crê em impacto negativo para o consumo em outras partes do mundo, conseqüência da possível elevação no preço dos produtos chineses no médio prazo.

Preocupação externa

Entretanto, analistas consideram que a demanda chinesa só diminuirá se, ao invés da utilização de combustíveis fósseis, houver formas alternativas de energia, o que não ocorre no país.

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Como a decisão ocorreu antes do encontro de grandes produtores de petróleo, que se realizará no próximo domingo (22), a China utilizou esta medida também para conter a disparada do óleo bruto, visto que as cotações do hidrocarboneto caíram imediatamente após o anúncio em Pequim.

Refinadoras comemoram

Uma resposta positiva à novidade foi o bom desempenho dos papéis das duas principais refinadoras chinesas no último pregão em Xangai. As ações da China Petroleum subiram 2,1%, enquanto os da PetroChina avançaram 4,6%.