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Os fundos soberanos administram ativos de mais de US$ 3 trilhões, com uma perspectiva de crescimento acima de US$ 10 trilhões nos próximos dez anos. A origem dos ativos dos maiores fundos soberanos do mundo vem do petróleo; o fundo ADIA, dos Emirados Árabes Unidos, considerado o maior do mundo, possui US$ 875 bilhões em ativos. O Fundo Soberano da Arábia Saudita atua no mercado acionário na Europa, o Fundo Soberano da China atua em investimentos em infra-estrutura na Angola, onde empresas brasileiras e outras têm que competir com as melhores práticas de mercado. É certo que estes fundos operam com outros interesses estratégicos do que os privados, mas, mesmo assim, estes se encontram em mercados competitivos onde a iniciativa privada não tem como negligenciar o seu retorno em bases econômicas competitivas.
A proliferação destes fundos tende a se instalar ainda mais com o preço do petróleo batendo a casa dos US$ 140,00 o barril e as commodities confirmando sua alta estrutural por um bom tempo afora. Aumentará cada vez mais a necessidade destes fundos de buscar aplicações para posicionar suas “reservas externas”, de maneira a não contaminar o valor de suas moedas nacionais com a “doença holandesa”; em outras palavras, para que não haja uma supervalorização de suas moedas e conseqüente desindustrialização.
| “É necessário estabelecer políticas e regras muito claras para atuação do Fundo Soberano” |
E o Brasil agora ainda é beneficiado com as possíveis reservas de petróleo no Pré Sal. Em dez anos, poderemos iniciar uma forte exportação de petróleo e seus derivados. Se este cenário ocorrer, na circunstância atual, não precisamos pensar muito em que patamares o valor do Real irá flutuar. Sem dúvida, o Pré Sal é um belo presente de Deus que não podemos desprezar. E, em sendo a maior área de exploração da União, os royalties prováveis desta exploração, onde irão parar? Esta questão, se não for muito bem pensada hoje, poderá se tornar uma boa dor de cabeça política e econômica amanhã.
Se nós somos hoje uma nação produtora de petróleo tardia, como denominou recentemente o senador Aloizio Mercadante em uma explanação, não precisamos cometer os mesmos erros que outras nações estão cometendo. Neste cenário, a discussão sobre a formação de um Fundo Soberano do Brasil com ativos oriundos dos royalties de nossas explorações petrolíferas pode ser uma saída para as conseqüências dos desvios que teremos nos fundamentos econômicos futuros. Para minimizar os efeitos colaterais que um fundo soberano pode causar, é necessário estabelecer políticas e regras muito claras de sua atuação.
Estipular, por exemplo, que o fundo soberano só poderia investir em áreas onde seria estruturante para aumentar a competitividade do Brasil, preparando o país para a era pós-petróleo, seria um ótimo objetivo.
O senador Mercadante propõe, por exemplo, que se pense em reduzir a dívida interna do país, reduzindo a incidência dos juros na economia. Ou, ainda, reduzir o déficit da previdência, o que diminuiria os custos para as empresas e os contribuintes.
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De uma forma ou outra, gostemos ou não de fundos soberanos, estamos diretamente expostos a eles neste mundo globalizado. Se temos a chance de constituir o nosso, que seja para o bem do país, especificamente para o seu povo, visando o longo prazo de um desenvolvimento sustentável, balizado em princípios de transparência e de menor impacto junto aos investidores privados.
Este debate não pode ser iniciado só quando o primeiro barril de petróleo estiver sendo explorado na Bacia de Santos, mas o quanto antes, porque se confirmadas as reservas, o valor será muito alto, e a cobiça política de prefeituras e Estados será enorme. Requer um debate de alto nível, que veja no Brasil de 10 a 20 anos à frente a esperança colocada na nova geração de brasileiros, mais bem nutridos, educados, em outro patamar de saúde, podendo desenvolver suas atividades em um país com uma infra-estrutura e um parque industrial à altura de nossos sonhos. Que comece logo o debate!
Ingo Plöger é empresário, coordenador do 1º Fórum de Líderes em Sustentabilidade e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial Institucional – especializada em negociações internacionais – e escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.
ingo.ploger@infomoney.com.br