Economia chinesa pode sofrer com desaceleração dos EUA, segundo Citi

Fraqueza na maior potência mundial deve diminuir exportações chinesas e causar queda na demanda doméstica

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SÃO PAULO – O maior risco da economia chinesa ainda é a desaceleração do crescimento norte-americano, afirmou o banco de investimentos Citigroup em relatório na última quarta-feira (9).

O principal motivo da conclusão é que boa parcela do crescimento da economia da China é baseada na demanda externa, sendo os EUA o segundo maior parceiro comercial dos chineses, atrás da Europa.

Corroborando a informação, o resultado da balança comercial chinesa mostrou desaceleração das exportações em 2007, apesar de terem crescido 25%.

Economias interdependentes

Segundo o Citi, alguns economistas defendem o pensamento errôneo de que a China não deve ser tão afetada pela crise norte-americana por ter uma economia fechada.

No entanto, a fatia de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) da China ocupada pela exportação, uma das mais altas entre as grandes economias mundiais, demonstra o quanto o país depende da demanda externa. As exportações contribuíram com 2,8 pontos percentuais para o crescimento do PIB chinês.

Os analistas também rebatem a idéia de que a demanda doméstica seria suficiente para fazer frente à desaceleração dos EUA. Para eles, desde a entrada da China na OMC (Organização Mundial do Comércio), o consumo norte-americano está relacionado à demanda interna do país.

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Comparando dados, eles chegaram ao resultado de que uma diminuição de 1 ponto percentual no gasto do consumidor dos EUA poderia causar uma queda de 0,34 p.p no consumo chinês.

Riscos

Deste modo, a equipe da instituição financeira avalia que o principal risco da economia chinesa não é o aperto da política monetária nem a inflação, e sim a desaceleração dos EUA, que esfriaria as exportações da China, levando a uma superprodução. Assim, as preocupações seriam com o risco de deflação, ao invés de inflação.

Além disso, com a diminuição do crescimento dos EUA e a desvalorização do dólar, medidas para apertar a política monetária teriam pouco espaço. Enquanto não houver recessão norte-americana, o Yuan deve continuar o movimento de valorização, em relação ao dólar, com os analistas prevendo uma taxa de 7,5% em 2008.

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Recomendações de investimento

O relatório do Citi recomenda cautela em relação a investimentos em 2008. O consenso de aplicar mais na demanda doméstica do que no setor de exportação é aceito, mas com prudência.

Para os analistas, investimentos em infra-estrutura poderiam servir para reverter a tendência do ciclo, assim, commodities como minério de ferro, aço, cobre e alumínio, poderiam ter melhora, ainda que haja um enfraquecimento na economia global.