Mercado responde à Bernanke: mais flexibilização é necessária, corte o juro

Opiniões convergem para corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro depois do discurso do chairman na última sessão

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SÃO PAULO – “Mais flexibilização monetária pode ser necessária”, afirmou Ben Bernanke, chairman do Federal Reserve na última quinta-feira (10). E o mercado recebeu o comentário com otimismo, porque acredita: mais flexibilização monetária é necessária para conter a crise.

Desde o auge da crise no mercado de crédito, o Fed já agiu por três vezes. A taxa básica de juro do país foi reduzida de 5,25% ao ano para 4,25% ao ano, o menor patamar desde dezembro de 2005. Em paralelo, a taxa de redesconto caiu 150 pontos-base chegando ao nível de 4,75% ao ano.

Discurso alinhado

“Os comentários de Bernanke abrem caminho para um corte de 50 pontos-base da taxa básica de juros e redesconto na próxima reunião”, avalia Mitchell Held, economista do Citi em relatório publicado nesta sexta-feira (11).

Da mesma maneira avalia o banco UBS. Em nota publicada nesta manhã, a instituição engrossa o coro dos que pedem mais um corte. “Diferindo bastante do tom da última ata, o discurso de Bernanke foi, entretanto, em linha com as falas de outros membros do Fed”.

De volta aos cortes*
Data Elevação Redução Nível (%)
11/12/2007 – 25 4.25
31/10/2007 – 25 4.50
18/09/2007 – 50 4.75
29/06/2006 25 – 5.25
10/05/2006 25 – 5.00
28/05/2006 25 – 4.75
31/01/2006 25 – 4.50
13/12/2005 25 – 4.25
01/11/2005 25 – 4.00
20/09/2005 25 – 3.75
09/08/2005 25 – 3.50
30/06/2005 25 – 3.25
03/05/2005 25 – 3.00
22/03/2005 25 – 2.75
02/02/2005 25 – 2.50
14/12/2004 25 – 2.25
14/12/2004 25 – 2.25
10/11/2004 25 – 2.00
21/09/2004 25 – 1.75
10/08/2004 25 – 1.50
30/06/2004 25 – 1.25
10/08/2003 – 25 1.00
06/11/2002 – 50 1.25

Fonte: Federal Reserve * Consideradas apenas as reuniões em que a taxa foi alterada

Esperando mais

Depois de analisar os dados do Relatório de Emprego, que mostrou a criação de apenas 18 mil vagas em dezembro nos EUA, a equipe econômica, além da redução de janeiro, espera mais dois cortes: um em março (25 pontos-base) e outro em abril (25 pontos-base).

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Comentários de William Poole, presidente do Fed de St. Louis, Charles Plosser, do Fed da Filadélfia, Eric Rosengren, do Fed de Boston e Frederic S. Mishkin, diretor do comitê, foram entendidos como mais propensos a aceitar um corte de juro na próxima reunião.

O mercado agora espera a chegada do anúncio da decisão no próximo dia 30 de janeiro, quarta-feira. “A cautela deve seguir prevalecendo nas próximas semanas, principalmente até a confirmação de tais medidas”, diz Silvio Campos Neto, economista chefe do Banco Schahin.

Além da reunião deste mês, a agenda do Fed ainda reserva mais sete encontros.