Sotaque é identidade: como transformar sua voz em marca pessoal

Por que neutralizar o sotaque enfraquece sua autenticidade e como colocar sua voz pra jogo é um poder que te levará a novos lugares em 2026

Alessandra Braga

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Existe uma pergunta que escuto com frequência nos meus workshops e treinamentos: Alessandra, como faço para eliminar meu sotaque?.

Antes de responder, sempre devolvo outra: por que isso te incomoda? Eu realmente acredito que há algo poderoso no jeito como cada pessoa fala. Antes de qualquer currículo, apresentação ou título, o sotaque entrega de onde você veio, o que viveu, a sua história. É um elemento importante da sua comunicação e parte da sua marca pessoal.

Quando alguém diz que precisa neutralizar a própria voz para parecer mais profissional, eu sinto que é quase como pedir para deixar uma parte da alma do lado de fora da conversa. Vivemos um momento em que autenticidade é um ativo estratégico. Pessoas querem verdade, conexão e naturalidade na comunicação. E o sotaque, quando usado com intenção, pode ser um dos maiores aliados da sua presença.

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Moro em São Paulo há 18 anos, e hoje, meu sotaque é híbrido em mineiro e paulistano. Ele pode soar acolhedor, firme, calmo… depende do contexto e principalmente, da minha intenção de comunicação.

É preciso aprender a ser consciente. É como ajustar a luz de uma foto: os traços continuam sendo os seus, mas a forma como você “ilumina” o foco principal muda completamente a percepção.

O sotaque só se torna um problema quando atrapalha a clareza ou é acompanhado de outros elementos da comunicação que sabotam a intenção de fala. Garantir clareza significa prestar atenção a expressões muito regionais que podem confundir, soar inapropriadas para o ambiente corporativo, observar quando é preciso usar sinônimos, pronunciar melhor cada letra da palavra, … Não é mudança de identidade, mas atenção à expressão.

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Ao longo de mais de 10 anos, tenho atendido clientes com sotaques de diferentes lugares do Brasil e do mundo, e acredite: a sonoridade diferente pode aproximar as pessoas, gerar curiosidade e até despertar a admiração, afinal, um imigrante que aprende uma nova língua, e mais, faz apresentaçòes em público em outro idioma merece todo o nosso respeito.

Sem querer romantizar, sabemos que em alguns ambientes o sotaque desperta preconceitos, daí a importância do seu preparo técnico e emocional, para garantir seu domínio emocional e claro, que será intencional na sua fala, capaz de quebrar estigmas por meio do seu próprio discurso.

Mantenha o foco e até o humor, afinal, brincar com estereótipos, quando feito com respeito, pode desarmar uma sala inteira.

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O que sempre alerto é: jamais deprecie seu próprio jeito de falar. Isso reforça inseguranças e até pode ofender quem compartilha das mesmas origens linguísticas que  você. O preconceito linguístico é real e não é assunto para ser tratado com descuido.

Como boa mineira, tenho plena consciência de que tenho uma tendência a engulir algumas letras (e, sim, me policio) para garantir que minha mensagem chegue inteira. Falar rápido demais ou deixar os sons muito abafados dificulta qualquer compreensão.

O mesmo vale para vícios de linguagem que, se usados em excesso, viram ruído. Os “né?”, “pronto”, “oxe?”, “uai?”, “tá?” são parte de quem você é, mas não podem assumir o controle da conversa. Dão um tom de confusão e de insegurança.

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No fim das contas, seu sotaque é parte de quem você é. Só vira problema quando prejudica a clareza. A nossa voz carrega história, identidade, mas também precisa ter intenção. Somos a única espécie com a capacidade de usar a linguagem (não só para descrever o que vemos, provamos e tocamos), mas para influenciar pessoas.

E sem dúvida, a habilidade de falar bem é crucial para os líderes que querem resolver grandes problemas e gerar grandes resultados. O poder da comunicação reside naquilo que ela permite às pessoas fazer: cooperar.

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Alessandra Braga

Alessandra Braga é jornalista, Mestra em linguística aplicada pela PUC/SP e expert em palestras TED Talks. Em sua trajetória profissional, passou por diversas áreas da comunicação. Foi repórter de TV, produziu e dirigiu programas ao vivo, atuou numa agência de produção de vídeos corporativos e como roteirista em uma agência de apresentações. Com esse repertório, passou a trabalhar no meio corporativo, aliando a habilidade de comunicação às dinâmicas de convenções, reuniões de resultados, eventos para lançamentos de produtos, dentre outros momentos decisivos nas grandes empresas. Há 10 anos a comunicadora é a fundadora e CEO da All Presentations, empresa responsável por preparar líderes de alta performance para momentos estratégicos por meio de workshops e palestras in company, além de ensaios individuais para momentos decisivos. Ao longo desses anos, já trabalhou com grandes empresas de diferentes segmentos como Bradesco, VLI, Merz, Ericsson inovação, Aramis, Dotz, Moema Wertheimer Arquitetura, Ifood, palestrantes reconhecidos.