Inteligência artificial estará no centro da estratégia da Visa para 2026

Empresa elege tecnologia para ajudar PMEs a gerir seu negócio e garantir mais segurança digital nos meios de pagamentos

Anna França

(Shutterstock)
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Depois de crescer 22% em volume de pagamentos domésticos e 26% em transações internacionais em 2025, a Visa informa que em 2026 vai acelerar os projetos que utilizam a inteligência artificial. Seja para ajudar o consumidor a fazer todos os processos de escolha e compra de um produto de forma segura, até auxiliar as lojas a fazerem sua gestão financeira, a tecnologia estará no centro da estratégia global da gigante mundial dos pagamentos.

Com mais esse passo, a companhia quer mostrar que não é apenas uma “bandeira de cartão”, mas sim uma plataforma completa de tecnologia de pagamentos e gestão financeira, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs) e para a segurança do sistema de pagamentos, como informou o presidente da Visa Brasil, Rodrigo Cury, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (27), em São Paulo.

O executivo fez questão de reforçar o reposicionamento da companhia que, com cerca de 60 anos de história, hoje opera mais de 230 soluções, muitas delas à parte da bandeira, indo muito além do cartão físico e alcançando sistemas como Pix, Open Finance, stablecoins e serviços de segurança.

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Segundo Cury, o Brasil é hoje um dos terrenos mais férteis para aplicações de novas tecnologias, por possuir um elevado nível de digitalização da população e de toda a economia, contando com um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo (Pix) e com forte competição bancária e de fintechs. “Por isso, aparece como um dos mercados mais estratégicos da empresa dentro da América Latina”, disse Cury, que acabou de assumir a presidência da filial brasileira, vindo do varejo bancário.

Força das PMEs

Um dos focos nessa estratégia de crescimento está nas pequenas e médias empresas. Isso porque as PMEs representam mais de 90% das empresas do país, respondendo por cerca de 27% do PIB brasileiro e concentrando hoje dois terços do volume do universo em que a Visa atua, segundo a vice-presidente da Visa para PMEs, Marcela Pinori. “O potencial é muito grande porque o cartão responde por apenas 2% de todo o volume de pagamentos B2B”, disse.

Para reforçar sua posição entre as pequenas empresas, a Visa fez até uma pesquisa para saber mais sobre as dores dessas companhias. Foram ouvidas mais de 2 mil empresas para saber como a Visa poderia ajudar e o resultado foi que elas queriam atender mais, gastar menos e melhor, contando com uma ajuda na gestão financeira. “Muitas dessas PMEs precisam apenas de um fôlego para operar com mais tranquilidade e poder crescer”, afirma Marcela.

O levantamento revelou que 48% dessas empresas precisam de crédito para investir no negócio, 59% veem o crédito como ferramenta para o crescimento, 43% tiveram crédito negado em bancos e 44% tinham dificuldade de gerir a parte financeira da empresa.

“Queríamos saber como poderíamos ajudar, porque 46% dos clientes não usavam nenhum método digital de gestão, por isso desenvolvemos algumas soluções de crédito para PMEs e de tecnologia como a Tap to Phone, que transforma o celular em uma maquininha, para melhorar as vendas. E tudo com um sistema que ajuda o empreendedor a fazer toda a gestão financeira, incluindo uma IA”, explicou a executiva.

Na prática, a promessa é transformar a IA em um “assistente financeiro” que traduza dados brutos em decisões simples: quanto sobra, quanto falta, quando faltar e o que pode ser ajustado.

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Veja três pontos para impulsionar as PMEs

1. Ajudar a vender mais

2. Ajudar a gastar menos e melhor

3. Facilitar a gestão financeira com IA e Open Finance

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IA na segurança contra fraudes

Se a IA está mudando a forma de comprar e gerir pelo lado das empresas, também está transformando – e complicando – o cenário de segurança no mundo de pagamentos digitais, segundo o responsável por soluções digitais na Visa, Leandro Garcia. Ele diz que houve um aumento global de ataques durante as transações, especialmente as iniciadas por bots (agentes automatizados).

Mas há também um crescimento de ataques vindos da dark web, com golpistas buscando formas para descobrir a numeração de e o código de verificação dos cartões, especialmente nos casos de engenharia social. “E tudo isso é impulsionados por IA generativa, que permite golpes personalizados, conversas naturais e uso de voz sintetizada. Vamos enfrentar isso utilizando a mesma tecnologia para descobrir as fraudes enquanto elas estão acontecendo”, explica Garcia.

Diante da escalada de golpes, a empresa explica que sua tecnologia já conseguiu bloquear mais de 500 transações fraudulentas por minuto e suas ferramentas já protegem mais de 100 mil estabelecimentos no Brasil. No Pix, a Visa está levando esse modelo agnóstico de meios de pagamento mais longe, com uma solução de análise de risco para transferências, que está sendo testada por grandes bancos e já avaliou transações somando quase R$ 600 milhões, conseguindo atingir 82% de detecção de fraudes durante os testes, segundo a empresa.

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“A ferramenta pode ser usada tanto por quem envia quanto por quem recebe o Pix, ajudando a identificar contas laranja e alertando o banco em milissegundos, antes de a transação ser concluída”, disse.

IA para comprar  

Uma das apostas mais disruptivas para 2026 é o chamado Agent E-Commerce. A ideia é de que, em breve, a jornada de compra será conduzida por agentes de IA que pesquisam, comparam e, em algum momento, também pagam, facilitando a vida das pessoas. “Hoje, o caminho típico é o consumidor conversar com a IA, dizendo: ‘quero um notebook com tais características’, e o agente busca opções, filtra por preço, prazo, frete e recomenda. Mas na hora do pagamento, o controle volta para o usuário”.

No radar para 2026

Para próximo ano, a inteligência artificial estará tanto na área de frente (experiência de compra e agentes) quanto por traz, nos sistema de fraude, scoring, crédito e gestão de caixa. Além disso, também será lançada uma plataforma de contas globais, permitindo a profissionais receberem em até 31 moedas fiduciárias, com conversões; bem como uma de criptomoedas, que permitirá pagamentos em moedas digitais.

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Tudo isso, para reduzir cada vez mais o atrito e o risco dos consumidores em um ambiente de pagamentos cada vez mais complexo e digital.

Outro foco da Visa será na hiperpersonalização, especialmente para os clientes de classes mais altas. Por isso, a Visa lançou o Visa Privilege, cartão voltado à camada superior da pirâmide, com uma proposta de ir além de limites elevados e milhas, oferecendo um pacote de serviços de estilo de vida, incluindo transfer de helicóptero, lifestyle manager para organizar viagens e experiências; serviço de Meet & Greet em Guarulhos, seguros de viagem e coberturas ampliadas.

Segundo Cury, o produto já nasceu com forte adesão de emissores e tende a ganhar escala à medida que bancos e cooperativas percebem o apetite desse público por serviços personalizados.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro