Preços de commodities devem seguir em alta, afirma BNP Paribas

Banco francês avalia que força das matéria-primas tende a sustentar a balança comercial brasileira em 2008

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SÃO PAULO – As commodities continuarão a beneficiar a economia brasileira neste ano, segundo análise do banco francês BNP Paribas. Apesar do clima de incertezas em âmbito global, a perspectiva é positiva para insumos básicos que “continuarão com preços elevados por um bom tempo, dado o desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda”, argumenta o banco.

Segundo a pauta de exportações brasileiras, o documento faz uma avaliação dos itens mais relevantes.

Aço e minério de ferro

O aumento do custo do minério de ferro levou as principais siderúrgicas do mundo a considerar uma elevação de preços. A estimativa do BNP Paribas é de reajuste em 100%. Quanto ao minério de ferro, o banco sentencia: “dispensa maiores comentários – preço e quantidade exportada subirão”.

Carne

Para a commodity em que o Brasil é o maior exportador do mundo, existe espaço para elevação de preços, já que o nível atual está baixo em comparação com a média dos últimos 12 meses, aponta o relatório. O banco acredita que a União Européia, que vem promovendo seguidos embargos à carne brasileira, deve “jogar duro”, mas não por muito tempo, pois o produto brasileiro é mais barato e a inflação ao consumidor é uma ameaça para o bloco econômico.

Soja

Apesar dos preços estarem em patamares históricos, o banco julga que a média anual de 2008 dificilmente ficará abaixo da registrada no ano anterior e ainda observa que o valor da soja manteve-se elevado mesmo diante da crise financeira.

Petróleo

O petróleo correspondeu a 10% da exportação no ano passado e apresentou preços elevados, chegando a atingir máximas históricas. Entretanto, se os Estados Unidos não entrarem em uma recessão profunda e duradoura, “o que está longe de ser o cenário mais provável”, os preços devem seguir relativamente altos, julga o BNP Paribas. Além disso, o banco pondera: “como também somos importadores, o impacto geral será baixo”.

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Balança pouco afetada

A análise chega à conclusão de que é pouco provável que o nível de exportações do Brasil seja afetado neste ano, mesmo que a desaceleração nos EUA seja um pouco mais aguda do que o banco espera. Segundo o BNP Paribas, a crise norte-americana deve ter “duração de um semestre e recuperação suave ao longo da segunda metade do ano”. Para a balança comercial brasileira, a estimativa para 2008 é de superávit de US$ 30 bilhões.