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No fim do ano, quando o décimo terceiro chega junto com os impostos e boletos de janeiro, saber como montar a reserva de emergência faz mais diferença ainda.
É nessa época que muitas pessoas sentem a necessidade de organizar a vida financeira para uma virada de ano com mais segurança e tranquilidade. Especialistas lembram que uma ótima forma de começar a reserva é aproveitando a entrada de um dinheiro extra, pois isso reduz a pressão e facilita o hábito de poupar.
Com um colchão de segurança, fica mais fácil ter previsibilidade financeira, o que diminui a ansiedade e, principalmente, evita a cilada de entrar em alguma dívida cara. Como resume Fernanda Melo, planejadora financeira CFP, “começar pelo que você tem hoje é melhor do que esperar o momento perfeito”.
A especialista também deu dicas sobre quanto guardar, como definir o tamanho ideal da reserva de emergência e como colocar tudo isso em prática no dia a dia dentro de um planejamento financeiro.
Quanto vale a sua reserva, e por onde começar
Quando você pensa em como montar a reserva de emergência, o primeiro passo é entender o tamanho que ela deve ter.
“O ponto de partida é uma pergunta simples: de quantos meses eu preciso para me recolocar caso um imprevisto aconteça”, sugere Fernanda, lembrando que a resposta varia bastante de acordo com cada realidade.
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Se você é autônomo ou freelancer, sua reserva deve ser maior, normalmente entre seis e doze meses, porque sua renda oscila mais. Se tem carteira assinada, teoricamente sua estabilidade é maior do que a do trabalhador sem vínculo CLT, o que lhe permite reduzir o prazo para três a seis meses.
No caso de famílias com dependentes, é preciso considerar o custo de todos os envolvidos, não apenas de quem recebe a renda principal. Isso inclui mensalidade escolar dos filhos, transporte, alimentação, planos de saúde, possíveis tratamentos médicos, ajuda a familiares idosos e qualquer outro custo fixo que não dá para eliminar caso algo aconteça.
Pense que, quanto mais responsabilidade financeira você tiver dentro de casa, maior precisa ser a sua proteção.
Fernanda Melo observa que o 13° salário pode ser um começo concreto. Segundo ela, mesmo que parte do valor vá para outras prioridades, guardar ao menos 30% já ajuda a construir o primeiro mês de reserva, e isso protege o orçamento.
“A reserva protege contra o endividamento; cartão e cheque especial cobram juros altíssimos”, alerta.
Como montar a reserva de emergência no dia a dia
Definido o tamanho ideal da reserva de emergência, é hora de criar hábitos financeiros simples que caibam na rotina. E é justamente no comportamento que está a principal dificuldade, não nos números, segundo Fernanda.
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“A maioria das pessoas gasta tudo o que recebe. Por isso, o ideal é separar a quantia assim que o dinheiro cai na conta”, afirma a especialista.
Automatizar os aportes resolve grande parte deste desafio, pois uma transferência programada reduz o esforço mental e cria consistência para investir. O mesmo vale para bônus, parte do 13° salário ou qualquer outra entrada extra.
Para quem está começando a montar a reserva, pequenas metas funcionam muito bem, como guardar o valor de uma conta de luz por semana. Outra dica é pensar nesses recursos como uma forma de proteção, não para gerar grandes retornos, o que nos leva a olhar para produtos simples e líquidos como CDBs, Tesouro Selic e fundos DI.
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Lembrando sempre que, para fazer sobrar dinheiro, constância vale mais do que perfeição. Quando tudo se encaixa na rotina, a reserva deixa de ser um projeto difícil e distante e vira uma prática automática.
É importante revisar a reserva de tempos em tempos
Outra etapa importante é manter a reserva de emergência adequada ao seu momento de vida. Isso porque existem situações que exigem revisão, como mudanças de emprego, chegada de filhos, casamento, separação ou qualquer outro evento que aumente despesas, de forma permanente ou temporária.
O recálculo é simples: basta olhar para quais são os seus gastos essenciais hoje e multiplicar pelo número de meses adequado ao seu perfil. Se você gasta quatro mil reais por mês e trabalha como autônomo, por exemplo, sua reserva ideal fica entre 24 mil e 48 mil reais.
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A revisão periódica também evita exageros, pois se ela cresce além do necessário, você pode realocar o excedente em ativos de longo prazo e com maior potencial de retorno. Isso sempre mantendo intacto o valor reservado para os imprevistos.
Fernanda reforça que um detalhe simples ajuda muita gente: dar um nome para a reserva. “Isso torna o objetivo mais concreto e reforça o propósito do dinheiro, que é proteger, não render”, conclui.