Recessão dos EUA pode ser pior do que se imagina, diz Merrill Lynch

Para analistas, crise marca início do ciclo de contração no mercado de crédito, o que pode aprofundar a recessão

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SÃO PAULO – Esta pode ser uma das mais severas recessões do pós-guerra. A afirmação está no relatório que a Merrill Lynch divulgou na última quinta-feira (21), reafirmando que a economia dos EUA já está em recessão.

Com afirmativas categóricas como “nenhum período de turbulência no mercado acabou depois de um mês de quedas”, os analistas do banco de investimentos avaliam o cenário econômico norte-americano, indicando o início de um ciclo de contração no mercado de crédito.

Para a Merrill Lynch, os EUA estão nos primeiros estágios de uma recessão que pode se tornar ainda mais problemática que as outras do pós-guerra.

Maiores problemas

Os analistas consideram um problema particular a aproximação da aposentadoria das 78 milhões de pessoas frutos do baby-boom no país. Elas devem começar a economizar e se preparar financeiramente para se aposentarem, o que teria reflexos negativos nos gastos do consumidor.

Ademais, de acordo com a análise, a economia demoraria ainda mais para se recuperar do que das outras vezes durante o pós-guerra, já que a grande expansão do crédito vista no período pode levar a uma quebra ainda maior ao final do ciclo.

Para a Merrill Lynch, com as grandes perdas registradas durante as turbulências – só os bancos já tiveram baixas contábeis de US$ 150 bilhões – é provável que a oferta de novos créditos seja cada vez mais restrita.

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Reflexos da crise

Segundo os analistas, os maiores problemas a serem enfrentados pelos consumidores neste momento não são a ameaça da inflação e sim a deflação, a contração no mercado de crédito, o aumento do desemprego e o alto custo do petróleo.

Os principais produtos a sofrerem com a crise serão os imóveis, automóveis e lazer. Entretanto, gastos com saúde, saneamento e energia, vestuário e alimentação não devem ser muito afetados, visto que são os mais necessários.

Ademais, os analistas afirmam que a contração no mercado de crédito terá influências também no mercado internacional, como já tem sido comprovado pela redução da expectativa de lucro global. “Temos sinais claros de que o crescimento em outras partes do mundo não deve compensar o que parece ser uma longa contração no mercado de crédito dos EUA”.

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Fed impotente

Para a Merrill Lynch, assim como o Fed falhou em diminuir a excessiva expansão do crédito no pós-guerra, ele também será impotente frente ao colapso iminente do mercado de crédito norte-americano.

Em relação ao pacote de estímulo fiscal do governo dos EUA, os analistas admitem que deve ter um impacto positivo nas estimativas de crescimento do segundo e terceiro trimestres, mas ressaltam que não é o bastante para pôr fim à crise.

A continuidade da crise no mercado financeiro, mesmo após a flexibilização da política monetária, indica que os sucessivos cortes na taxa básica do juro dos EUA não devem fazer frente à bolha.