Bolsonaro fez pedido ‘direto’ para que Motta e Alcolumbre pautem anistia, diz Flávio

Senador relatou preocupação de Bolsonaro com origem da comida servida e risco de adulteração

Caio César

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Após visitar o pai na superintendência da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro pediu diretamente aos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar o projeto de anistia.

Em conversa com jornalistas, Flávio destacou: “[Ele] pediu que a gente insistisse, que conversasse com o presidente Hugo Motta e com o presidente Davi Alcolumbre, que o que nós pedimos para eles, por ocasião inclusive das eleições nas Casas, era a colocação em pauta do projeto de anistia. Então fica aqui, mais uma vez, um pedido direto dele.”

O senador teve permissão para visitar Jair Bolsonaro por 30 minutos no local onde o ex-presidente está preso desde sábado (22), após tentar romper a tornozeleira eletrônica e apresentar risco de fuga.

Flávio relatou que Bolsonaro teve uma crise de soluço na noite anterior e precisou de ajuda dos agentes. Ele também comentou que o pai está indignado e inconformado com a “perseguição” que vem sofrendo. “Ele disse: ‘O que eu fiz para estar aqui? Meu governo fez uma transição tranquila’”, contou.

O senador questionou ainda a decisão da Polícia Federal de não permitir que a família do ex-presidente levasse comida para Jair, conforme a dieta prescrita por seus médicos. Flávio lembrou o temor do pai em ingerir alimentos de origem desconhecida, com receio de que “pudessem fazer alguma coisa com ele”.

“Ele não está desconfiando dos policiais, mas não sabe a origem da comida até chegar à mesa dele. Qual é o trajeto que faz? Por quantas mãos passa?”, indagou.

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Após a prisão, Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foram cotados como possíveis porta-vozes do ex-presidente. Em reunião promovida pelo Partido Liberal na segunda-feira, o senador foi escolhido como intermediador.

A prisão

Na decisão que decretou a prisão preventiva de Bolsonaro no sábado, o ministro Alexandre Moraes apontou que a convocação de uma vigília de apoiadores do ex-presidente pelo senador Flávio Bolsonaro, prevista para a noite de sábado, somada à violação da tornozeleira, configuravam “gravíssimos indícios da eventual tentativa de fuga do réu Jair Messias Bolsonaro”.

A decisão foi mantida por unanimidade em julgamento virtual da Primeira Turma do STF nesta segunda-feira (24).

O relator da ação penal da trama golpista citou a violação da tornozeleira como um dos indícios de que o ex-presidente planejava uma fuga, que poderia ocorrer durante a aglomeração de apoiadores nas imediações da residência de Bolsonaro. O ex-presidente estava preso preventivamente em sua casa, em Brasília, desde 4 de agosto, por descumprir medidas cautelares impostas, como a proibição de gravar vídeos para apoiadores e de usar redes sociais, mesmo que indiretamente.

No domingo (23), Bolsonaro afirmou, durante audiência de custódia no STF, que teve uma alucinação de que havia uma escuta em sua tornozeleira eletrônica e uma “certa paranoia” que o motivaram a danificar o equipamento com um ferro de solda. Ele disse que agiu sozinho e que o equipamento usado já estava em sua casa. Ao final do depoimento, a prisão preventiva foi mantida.

Além disso, Jair Bolsonaro relatou a seus médicos ter tido um quadro de “confusão mental e alucinações” na noite de sexta-feira.

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Ainda na noite de sábado, essa versão foi reforçada pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF). “Ele começou a ouvir um barulho vindo da tornozeleira. Achou estranho, pensou que pudesse haver uma escuta, então a abriu. Ele poderia ter cortado a alça, mas não tentou tirar”, relatou a parlamentar nas redes sociais.

Em boletim anexado à manifestação da defesa ao STF para explicar a violação da tornozeleira, os médicos do ex-presidente afirmam que o episódio pode ter sido resultado do efeito colateral da Pregabalina, medicamento receitado a Bolsonaro pela médica Marina Pasolini, que não integra a equipe que cuida do ex-presidente.

No documento, os médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique explicam que o quadro foi “possivelmente induzido pelo uso da Pregabalina, receitada por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento, porém sem o conhecimento ou consentimento” da equipe médica do ex-presidente.

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A Pregabalina é um remédio anticonvulsivante e modulador de dor neuropática. No boletim, os médicos destacam que “esse medicamento apresenta importante interação com os medicamentos que ele (Bolsonaro) utiliza regularmente para tratamento das crises de soluço (Clorpromazina e Gabapentina) e tem como efeitos colaterais reconhecidos alterações do estado mental, como confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos”.

Os médicos ressaltam que o uso da Pregabalina foi “suspenso imediatamente, sem sintomas residuais neste momento” e que realizarão avaliações periódicas no ex-presidente.