Para analistas, plano de Mantega deve ter pouco efeito sobre mercado cambial

Forte alta do dólar nesta sessão é vista como temporária; governo pouco pode fazer frente a uma tendência global, dizem analistas

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SÃO PAULO – O dólar comercial voltou a superar a barreira de R$ 1,70 nesta terça-feira, após manter-se abaixo desse patamar por uma seqüência de sessões.

Além do dia turbulento que se configura no plano internacional, ocasionado pelos temores acerca da economia dos EUA e da crise de crédito no setor financeiro, medidas anunciadas pelo Governo na noite da última quarta-feira impulsionam a cotação da divisa norte-americana.

Confirmando as especulações do mercado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote de medidas que visam mitigar a trajetória de desvalorização que o dólar vem trilhando frente à moeda brasileira, por meio da redução do ingresso de capital externo no país e da elevação da lucratividade dos exportadores.

Medidas têm pouco efeito

Uma das medidas previstas pelo plano do Governo é a cobrança de 1,5% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no ingresso de investimentos estrangeiros em renda fixa, como títulos públicos, e em contrapartida a isenção do imposto sobre operações de câmbio dos exportadores.

Na leitura elaborada pelos analistas da Link Corretora, o fim do IOF sobre os contratos de câmbio para exportação é positivo, contudo, pouco deve contribuir para alterar a trajetória atual da taxa de câmbio.

Miriam Tavares, diretora da corretora de câmbio AGK, concorda: “a medida é bem-vinda por reduzir custos ao exportador, porém, não exerce nenhum impacto sobre as cotações, uma vez que não altera o fluxo de moedas”, afirma a economista.

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A outra medida prevista é a autorização para que exportadores possam manter no exterior a receita originada de suas vendas, e que também deve ter efeito limitado sobre o câmbio no médio prazo, pois “as empresas têm que trazer parte de suas receitas para fazer frente aos compromissos locais. Ademais, ainda é mais rentável aplicar no Brasil com risco bastante baixo”, nas palavras de Miriam.

Queda do dólar é global

Se os analistas se mostram consensuais na idéia de que o plano anunciado por Mantega terá efeito limitado sobre o mercado cambial, como então explicar a forte alta trilhada pela divisa norte-americana nesta quinta-feira?

Para Miriam Tavares, a valorização da moeda nesta sessão é um reflexo à sinalização do Governo de que está disposto a realizar novas interferências a fim de conter a apreciação do real. Entretanto, o efeito deve ser pequeno e temporário. A Link vai além: “é muito barulho para pouco efeito prático”.

Até porque, o movimento de desvalorização do dólar norte-americano possui um fundo mais amplo, de ordem global, se configurando em relação a quase todas as principais moedas do mundo. E com o Fed sinalizando maiores cortes no juro básico norte-americano, a tendência deve se aprofundar ainda mais nas próximas semanas. Neste sentido, pouco pode fazer o governo brasileiro.