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Na 15ª Conferência de CEOs do Bradesco BBI em Nova York, investidores demonstraram otimismo cauteloso em relação aos mercados emergentes em 2025, mas se mostraram reticentes em realizar novos investimentos no final do ano. A perspectiva fortemente otimista do banco para o Brasil nos próximos seis meses encontrou resistência, refletindo a percepção de que o mercado precisava de uma pausa e de um novo catalisador.
A mensagem geral das empresas foi de uma clara desaceleração do crescimento econômico e dos lucros, porém com notável resiliência, apontando para o que pode ser a aterrissagem mais suave entre as principais economias.
Este parece ser um cenário ideal que está dando algum suporte aos lucros, com os resultados recentes do 3º trimestre de 2025 se mostrando menos fracos do que o temido, ao mesmo tempo que mantém aberta a possibilidade do início do ciclo de afrouxamento monetário do Brasil no 1º trimestre de 2026.
Não perca a oportunidade!
O BBI considera este o próximo catalisador fundamental para sua tese de investimento no Brasil, e sua importância é ainda maior dado o seu impacto na redução da saída de capital de fundos de ações locais.
O ciclo eleitoral de 2026 está no radar dos investidores, mas ainda não está definido o posicionamento. O BBI espera que os desdobramentos políticos ganhem relevância no segundo trimestre de 2026, podendo influenciar o sentimento e a alocação setorial.
Segundo relatório, os setores financeiro e de serviços públicos continuam sendo os favoritos do consenso, com ações sensíveis às taxas de juros sendo o foco de interesse adicional. O Brasil é a principal escolha na América Latina, sustentado por cortes de juros esperados e catalisadores eleitorais, avaliações de ações com desconto e de câmbio, e aumento nos fluxos de fundos.
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Setor financeiro em destaque
Entre as empresas que se destacaram positivamente no encontro, está o Nubank (BDR: ROXO34), que explicou o impacto das ferramentas de IA em seu processo de modelagem de crédito e por que se sente confortável em ter um custo de risco menor, mantendo também a próxima onda de melhorias nos limites de crédito.
A Caixa Seguridade (CXSE3), por sua vez, espera um crescimento melhor nos segmentos imobiliário e de seguros de vida no próximo ano, devido ao crescimento do banco. Ademais, a administração espera manter índices de sinistralidade mais baixos e poderá sofrer um impacto mínimo das taxas de juros sobre o resultado financeiro.
Foco em dividendos
A conferência reafirmou a postura construtiva do banco em relação ao mercado imobiliário brasileiro, com os dividendos emergindo como o tema dominante e as construtoras sinalizando benefícios das mudanças nas políticas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), incluindo faixas de renda mais altas e estruturas de subsídios aprimoradas, que apoiam a demanda no segmento de baixa renda, ao mesmo tempo que ajudam a sustentar o crescimento do volume e as margens.
Nesse contexto, a Allos (ALOS3) projetou um rendimento de 13% em 2026 e reforçou sua posição como uma das histórias de dividendos mais atraentes do Brasil. A empresa espera menores necessidades de investimento, reduzindo efetivamente o duration da ação, um fator positivo em um ambiente de desaceleração macroeconômica e incerteza, especialmente para o segmento de shopping centers.
Enquanto isso, a Direcional (DIRR3) apresentou um desempenho muito otimista, com potencial de alta nas estimativas de consenso de margem bruta e dividendos que podem chegar a R$ 1 bilhão, com R$ 700 milhões ainda a serem distribuídos este ano, além de indicar um rendimento de dividendos de 7%, o que destaca o forte momento tanto da empresa quanto do programa MCMV.
Opções defensivas
Para o BBI, o mercado de telefonia móvel manteve um ambiente competitivo racional, apesar do recente aumento na atividade comercial da Nucel. Espera-se que as operadoras continuem executando suas estratégias de “mais por mais”, com aumentos anuais de preços programados para o primeiro semestre de 2026. Essa dinâmica favorável de preços deve sustentar o crescimento da receita em um ritmo ligeiramente acima da taxa de inflação no próximo ano.
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A administração das empresas de telecomunicações também expressou a expectativa de que os investimentos de capital (capex) permaneçam amplamente estáveis em termos nominais, com uma possível ligeira queda no setor de dispositivos móveis. Além disso, há otimismo de que iniciativas de eficiência, como digitalização, IA, pagamentos digitais e aplicativos móveis, contribuirão para a expansão das margens nos próximos anos.
Em conjunto, espera-se que esses fatores impulsionem um forte crescimento do fluxo de caixa livre. O BBI reitera recomendação de compra para TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3), pois acredita que elas continuam sendo opções defensivas atraentes, apesar de apresentarem um potencial de valorização mais limitado no momento.
Utilities
O Brasil acompanha a alta global nos preços de energia elétrica, reforçando a preferência por empresas de geração, especialmente aquelas com fornecimento flexível, como Axia (AXIA3, hidrelétrica) e Eneva (ENEV3, termoelétrica a gás). A Copel (CPLE3) também se beneficia de sua geração, que representa cerca de 50% do valor patrimonial. No setor de saneamento, a Sabesp (SBSP3) segue como opção preferencial, com oportunidades de investimentos, privatizações e ganhos de eficiência.
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Transportes
O Bradesco BBI reforçou sua preferência por rodovias pedagiadas e locadoras de veículos no Brasil. Rodovias oferecem receita previsível, expansão de tráfego, controle de custos e oportunidades de crescimento em novos projetos e contratos. Locadoras, como Localiza (RENT3), apresentam aumento de preços, margens crescentes, ROIC (retorno sobre capital investido) retornando à meta e ganhos adicionais via sinergias da fusão com Locamerica.
A Motiva (MOTV3) tem potencial de crescimento com novos projetos e cenário regulatório favorável, enquanto a JSL (JSLG3) destaca-se por sólido fluxo de caixa livre, crescimento orgânico de dois dígitos e perspectivas de alavancagem futura.
Marcopolo (POMO4)
Todos os segmentos industriais brasileiros registram queda nas vendas devido às altas taxas de juros. Caminhões se estabilizaram abaixo do nível do ano passado, veículos leves se beneficiam de incentivos governamentais e ônibus mostram resiliência, apesar da desaceleração.
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A Marcopolo (POMO4) destaca mercado de carrocerias de ônibus com capacidade limitada e demanda focada em substituição de frotas. A empresa opera fábricas modernizadas, investe em atualização de produtos e desenvolve ônibus elétricos em parceria com fornecedores como a BYD. O pagamento de dividendos foi elevado para 50%, mantendo visão positiva sobre as ações.
Vale e Suzano
O encontro reforçou a visão positiva do BBI sobre a Vale (VALE3) e a Suzano (SUZB3). Em relação à Vale , a administração enfatizou o bom progresso da produção de minério de ferro e metais básicos, com a demanda por minério de ferro impulsionada pela China e a crescente relevância do Sudeste Asiático e da Índia. O novo fornecimento de Simandou foi um ponto recorrente em nossas reuniões, com a Vale acreditando que o esgotamento das reservas globais deverá compensar esse acréscimo ao longo do tempo. O banco destaca uma probabilidade crescente de novos dividendos extraordinários no final de 2025 e em 2026, dada a maior confiança na entrega, um perfil de despesas de capital mais baixo e um fluxo de caixa livre mais elevado.
Enquanto isso, o feedback da Suzano sobre os mercados de celulose alinhou-se ao sentimento mais construtivo que vimos durante a London Pulp Week, e o BBI considera a Suzano bem posicionada para se beneficiar de uma recuperação nos preços da celulose, juntamente com custos e despesas de capital menores (excluindo Kansas City) até 2026.
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Petroleiras
Os investidores aparentemente continuam com uma posição amplamente abaixo do peso ideal no setor de energia da América Latina, impulsionados pelas incertezas em relação aos preços do petróleo no curto prazo. O BBI observou um interesse crescente em ações brasileiras, como Cosan (CSAN3) e Vibra (VBBR3), que se beneficiariam do início estimado do ciclo de redução da taxa de juros no Brasil em janeiro. As principais escolhas do BBI no setor continuam sendo a Vibra e a OceanPact.
A Petrorecôncavo (RECV3) vem revisando seu programa de perfuração para um preço do petróleo mais baixo, priorizando poços verticais e horizontais rasos, o que levará a uma produção estável em 2026 em comparação com 2025. A Brava Energia (BRAV3) vem fazendo ajustes em sua unidade de separação e deve observar o retorno da produção ao patamar de 30 barris por dia nas próximas semanas.
Varejo
O setor de varejo brasileiro apresenta tom cautelosamente construtivo, com foco em crescimento disciplinado, eficiência operacional e consciência da dependência do desempenho de dezembro. As vendas mesmas lojas do 4º trimestre de 2025 têm se mostrado resilientes, apesar de varejistas adotarem estratégias promocionais mais agressivas. Guararapes (GUAR3) e C&A Modas (CEAB3) devem continuar a implementar iniciativas internas para desbloquear valor em 2026.
No e-commerce, parcerias entre marketplaces se fortalecem, como Magazine Luiza (MGLU3) e Americanas (AMER3) e Casas Bahia e MercadoLibre, com foco em margens e fluxo de caixa. Outros destaques incluem Petz (PETZ3) e Grupo SBF (SBFG3), com recuperação de margens esperada a partir de 2026, enquanto Azzas (AZZA3) trabalha em ajustes de curto prazo visando resultados mais consistentes no segundo semestre de 2026.
No geral, as preferências são por C&A Modas (CEAB3) e Guararapes (GUAR3), além do Grupo SBF (SBFG3).
Agronegócio, Alimentos e Bebidas
O BBI destaca que setor enfrenta desafios em 2026, com pressão sobre a carne bovina dos EUA, ciclo da avicultura em enfraquecimento e preços baixos de commodities, mas a carne bovina brasileira se destaca como exceção, beneficiada por preços mais altos.
A 3tentos (TTEN3) segue seu ciclo de investimentos e é a principal escolha por P/E baixo de 9 vezes para 2026. A JBS (JBSS3) é a exposição preferida em proteínas, enquanto MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3) mantêm estratégias de crescimento e competitividade.
Saúde
No setor de saúde, Rede D’Or (RDOR3) e Fleury (FLRY3) devem apresentar crescimento de receita no 4T25, enquanto Hapvida (HAPV3) permanece pressionada por concorrência e custos de expansão. A margem EBITDA de Hapvida deve se manter estável em torno de 10% a 11% em 2026. O banco mantém preferência por Raia Drogasil (RADL3) e Hypera (HYPE3) devido a bom momento operacional e avaliação atrativa.
Educação
O BBI ressalta que YDUQS (YDUQ3) e Cogna (COGN3) apresentam forte geração de fluxo de caixa e crescimento consistente, com YDUQS projetando seu melhor 4T25 e Cogna mantendo crescimento de receita de dois dígitos em 2026. Afya mantém resiliência em escolas médicas. Cogna é a principal escolha do setor, considerando avaliação e perspectivas de crescimento.

