Crise testemunha limite da capacidade de gestão do risco, segundo Greenspan

Para ex-presidente do Fed, "descontinuidades" presentes nos mercados financeiros não podem ser completamente avaliadas

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SÃO PAULO – Lições serão deixadas da mais dolorosa crise financeira dos EUA desde o final da Segunda Guerra Mundial. Mas não podemos esperar antever crises futuras com algum grau de confiança. Nunca seremos capazes de antecipar todas as “descontinuidades” dentro dos mercados financeiros.

As palavras pertencem ao ex-chairman do BC dos EUA Alan Greenspan, que emenda: “portanto, é importante e crucial que qualquer reforma e ajuste na estrutura dos mercados não iniba nossa mais valiosa e efetiva proteção contra deficiências econômicas: flexibilidade dos mercados e competição aberta”.

Para ele, a instabilidade corrente expõe que os modelos de risco e econométricos possuem um grau de complexidade ainda muito simples para contemplar todas as variáveis da realidade no âmbito governamental e do ciclo econômico. “Um modelo é uma abstração de um detalhe completo no mundo real”, filosofa.

Turbulência

Segundo o ex-comandante do Fed, as fases de contração no crédito e no ciclo de negócios, orientada pelo medo, são historicamentes menores e mais abruptas do que nos períodos de expansão, que convive com um vagarozo e cumulativo senso de euforia.

A turbulência no sistema financeiro dos EUA, originada pelos problemas em ativos lastreados em hipotecas de alto risco, ganhou contornos graves nos últimos dias em decorrência dos problemas de liquidez revelados pelo quinto maior banco do país, Bear Stearns, que acabou vendido ao preço de US$ 2 por ação para o JPMorgan, com apoio do Federal Reserve.

“O boom imobiliário norte-americano atingiu o pico no início de 2006, seguido por uma abrupta e rápida retração durante os últimos dois anos”, observa Greenspan. Para ele, no entanto, é ainda impossível determinar quando a relação de oferta e demanda por imóveis atingirá um padrão saudável.