Colunista InfoMoney: Para que lado correr?

A expectativa para o dólar está indefinida por vários fatores; o subprime arrastou diversos bancos a prejuízos históricos
Ainda com o reflexo da performance de 2007, o crescimento da economia global foi totalmente satisfatório e com o resíduo para 2008, o Brasil pensa em crescer acima dos 4,5%.

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A expectativa para o dólar está indefinida por vários fatores. No início do ano estávamos com a cotação de R$ 1,7780. Na semana de 03/03/08 a 07/03/08, o dólar chegou à cotação mínima de R$ 1,6610, uma valorização do real perante o dólar de 7%. Hoje se encontra com uma taxa de R$ 1,7060, pois as notícias nos EUA continuam não favoráveis.

O problema do subprime arrastou diversos bancos a prejuízos históricos, sendo que o número final está em aberto. A inflação já não é mais o enfoque principal e sim a recessão. E o petróleo batendo recorde em cima de recorde. Dizem que a culpa é da forte alta do consumo vinculada à desvalorização do dólar no mercado internacional. Além da especulação, que prevalece sempre.

“Enquanto a situação dos EUA não se acalmar, ocorrerá a turbulência nos mercados”

O próprio mercado americano espera que o Fed reduza ainda mais a taxa de juro para 2% em sua próxima reunião. Desta forma, a nossa taxa de juro será novamente a mais alta do mundo. Brasil é um bom atrativo para investimento em renda fixa, pois a CPMF já não existe mais e o otimismo para o País se tornar investment grade no segundo semestre também é favorável.

Porém a valorização do real para os exportadores esta péssima. Ai eu pergunto: até que ponto o Banco Central vai arcar com o custo de carregamento das reservas mais o acúmulo da valorização do real? Pois continua entrando no mercado diariamente comprando dólares.

Preocupado, o governo está tentando adotar nova medidas para conter a valorização. Exportação sem cobertura cambial não é a saída, pois a flexibilização de 0% a 30% não vingou. Como os exportadores aplicariam 90% dos recursos externos a taxa de juro do mercado internacional – atualmente a 3% anuais – e tomaria a custo de 11,25% no mercado interno? Só louco.

A medida a ser adotada será a tributação dos papéis da dívida, que foram isentos de IR de 15% em 2006, e agora seriam tributados novamente. Enfim, o cenário é incerto.

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As bolsas globais em geral estão tendo oscilações bastante significativas para cima e para baixo. E os investidores mais os especuladores estão dançando conforme a musica. Como exemplo, a Bovespa, que chegou a cair para os 57.000 pontos, foi para os 65.000 pontos e agora está em torno de 60.000 pontos. O risco-Brasil que estava confortável abaixo de 200 pontos-base, se encontra na casa dos 273 pontos-base. Enquanto a situação dos EUA não se acalmar, ocorrerá a turbulência nos mercados.

Reginaldo Siaca é gerente de Câmbio da corretora TOV e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
reginaldo.siaca@infomoney.com.br