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SÃO PAULO – Em meados do segundo semestre de 2007, quando eclodiu nas praças financeiras de todo o mundo a crise subprime, a taxa básica de juro norte-americana estava em 5,25% ao ano, e a taxa de redesconto, em 6,25% anual. Na época, o balanço de riscos da autoridade monetária dos Estados Unidos dava maior ênfase às pressões inflacionárias.
Junto aos desdobramentos da crise global nos mercados de crédito, vieram os reflexos nos dados econômicos e no sistema financeiro. Como destaca em relatório a Modal Asset Management, desde então o Federal Reserve, depois de três intervenções extraordinárias e cinco reuniões ordinárias, reduziu a Fed Funds Rate e a taxa de redesconto para, respectivamente, 2,25% e 2,5% ao ano.
O diferencial entre as duas taxas, que antes estava em 100 pontos-base e, atualmente, se encontra em apenas 25 pontos-base, evidencia, ao ver da Modal, a crise de insolvência. O panorama dos mercados globais traçou um grave caminho, de imprevisível desfecho, e a esta altura, a desconfiança é geral e qualquer previsão se torna “muito perigosa”.
O cenário e as assets
Em meio ao “olho do furacão” da pior – ao menos potencial – crise de mercado dos últimos anos, a Modal Asset Management levanta duas vertentes principais pelas quais as empresas de asset devem se guiar.
A primeira cabe às áreas de pesquisa: o estudo permanente do fundamento dos problemas, em busca de identificar pontos de inflexão. Já a segunda, destinada aos segmentos de gestão, é a exploração da volatilidade do mercado a seu favor, com posições ajustadas, em termos de tamanho e exposição a risco.
Neste contexto, a gestora de recursos lista alguns pontos merecem ser repensados pelos agentes de mercado:
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Elogiando a decisão do Fed de não ceder às apostas mais agressivas do mercado e reduzir em “apenas” 75 pontos-base a Fed Funds Rate em sua última reunião, a Modal diz que quanto mais abalado for o quesito confiança de mercado, menor será a eficiência da política monetária e fiscal no restabelecimento de expectativas positivas de médio e longo prazo. O cenário mais plausível aos olhos da gestora de recursos é que o relaxamento de política monetária e fiscal crie um “chão” para a deterioração da economia, com a recessão durando um tempo mais longo do que o esperado.
Um fato novo nesta crise foi a presença de um novo player – os fundos soberanos – na ponta de compra de ações de instituições financeiras com problemas, sobretudo nos EUA. Estes fundos começaram a comprar participações em empresas e, principalmente, em instituições financeiras, em dificuldades, aliviando, por algum tempo, as tensões do mercado. A dúvida levantada pela asset é: após o episódio do Bear Stearns, os fundos soberanos continuarão a comprar estas participações? No ver da Modal, esta fonte de injeção de recursos tende a “secar”, pelo menos no curto prazo.
Desde o início da crise as commodities agrícolas e metálicas apresentaram um ótimo comportamento. Desde lá, confirmou-se o chamado “decoupling”, ou descolamento do comportamento das commodities, lastreado na expectativa de que o mercado asiático (exceto o Japão) será capaz de compensar a queda da economia norte-americana. Por mais que a Modal veja que a economia asiática seja, atualmente, menos dependente de exportações, não há como evitar algum grau de contaminação.
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Com a derrocada nas cotações de commodities desde a última reunião do Fed, a Modal levanta uma outra questão: os preços estão em queda porque o pessimismo prevalece – dada a expectativa de desaceleração da economia mundial – ou trata-se de queda vertiginosa advinda de simples desmonte de posições especulativas, exatamente montadas em meio a um forte receio quanto à pressão inflacionária nos EUA e/ou uma crise bancária sem precedentes? A gestora de recursos acha cedo para acreditar na hipótese de “estouro da bolha de commodities”, mas afirma “sem dúvida” que alguns exageros estão sendo corrigidos e o movimento pode continuar.
Enquanto o Banco Central sinaliza um provável início de ciclo de aperto monetário, o que deve aumentar ainda mais o spread entre o juro no Brasil e o vigente em outras importantes economias mundiais, o Ministério da Fazenda anuncia medidas de contenção da valorização do Real, que na leitura da Modal, devem ter influência moderada no câmbio.