Abaixo de R$ 1,80? Dólar pode experimentar novas mínimas no curto prazo

Forte fluxo de capitais para o Brasil fundamenta esta percepção; BC adia leilões de swap reverso para conter inflação

Publicidade

SÃO PAULO – Depois de ficar próximo de R$ 2,10 no auge da turbulência global com a crise subprime, o dólar comercial retomou sua trajetória de desvalorização frente ao real nas últimas semanas. Na última segunda-feira (1), a moeda encerrou os negócios a R$ 1,809, menor patamar desde agosto de 2000, com queda acumulada em 2007 de 15,3%.

E a percepção do mercado é que, mantida esta melhora de cenário, a moeda pode não só sustentar este patamar, como também experimentar novas mínimas, mesmo com a alta desta terça-feira. Na opinião da AGK Corretora de Câmbio, se não houver a retomada das atuações do Banco Central (BC), o dólar pode até romper o patamar de R$ 1,80 no curtíssimo prazo.

A referência ao BC dá-se ao fato de, nos períodos pré-crise, a intervenção no mercado cambial via leilões de swap cambial reverso, como medida de controlar a desvalorização da divisa, era rotineira.

A volta do BC

Após quase dois meses de ausência, no último dia 25 a autoridade monetária realizou um leilão de swap reverso, rolando vencimentos. Na opinião de Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, a operação foi instrumento para verificar se o mercado manterá posição “compradora” quando estas intervenções voltarem a ocorrer com maior freqüência.

Os leilões de swap reverso têm como efeito prático a compra de dólares no mercado futuro. Em ofertas do tipo, o mercado ganha se a rentabilidade do juro for maior do que a do câmbio.

Continua depois da publicidade

É neste ponto que Nehme destaca que, com a taxa de câmbio no baixo patamar em que se encontra, o swap não apresenta a mesma atratividade de outros tempos.

Porque ainda não voltou?

Independentemente da tendência de redução do superávit na balança de pagamentos – com as importações crescendo em ritmo mais acelerado que as exportações – Nehme acredita que o fluxo de divisas para o Brasil deve seguir forte, contribuindo para que o dólar rompa o patamar de R$ 1,80.

Assim como o diretor da NGO, Reginaldo Galhardo, analista da Treviso Corretora de Câmbio, destaca que o forte ingresso de capital externo para o país não se deve unicamente ao bom momento da bolsa brasileira, mas também em outros mercados, como na renda fixa e nos derivativos.

Continua depois da publicidade

Os analistas também compartilham da opinião de que, por mais que o patamar de R$ 1,80 seja visto como um “piso” no qual o Banco Central deva voltar a interferir, a estratégia de retardar a realização dos leilões de swap cambial reverso tem por contrapartida o combate às pressões inflacionárias domésticas.

“Claramente a autoridade monetária utilizará a moeda americana com preço fragilizado para utilizá-la como âncora do controle de inflação, já que seus efeitos são muito mais rápidos do que mudanças na taxa de juros, porém, certamente deverá voltar a realizar leilões quando o preço tender a romper o piso de R$ 1,80”, diz o especialista da NGO.

Patamar de R$ 1,90 até o fim de 2008

Dado que a percepção geral é que o dólar deva permanecer no atual patamar e até mesmo testar novas mínimas, a AGK se utiliza das projeções contidas no relatório Focus para traçar um panorama de maior amplitude.

Continua depois da publicidade

Na avaliação contida no relatório, a taxa de câmbio só voltará a R$ 1,90 em março de 2008, buscando R$ 1,91 no final de outubro, mas encerrando o próximo ano em R$ 1,90. Para 2007, as projeções do Focus sinalizam que a divisa norte-americana encerrará o ano em R$ 1,86. Cabe lembrar, porém, que tais projeções são frequentemente ajustadas.