Economistas interpretam Relatório de Inflação e avaliam rumos da Selic

Não faltam preocupações acerca das pressões inflacionárias; aposta predominante é de Copom cauteloso nas próximas reuniões

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SÃO PAULO – O Relatório de Inflação do Banco Central com base no terceiro trimestre foi encarado como um alerta sobre o controle dos preços no Brasil. Nada surpreendente, dados os últimos indicadores sugerindo aceleração inflacionária.

O IGP-M de setembro apontou alta de 1,29% nos preços; em agosto, o indicador registrara inflação de 0,98%. E o IPC-Fipe marcou acréscimo de 0,24% em setembro, contra a variação positiva de 0,07% observada em agosto.

Com base nessas referências, economistas interpretam as preocupações do BC e avaliam se existe margem para novos cortes iminentes da taxa Selic.

O que incomoda o BC?

Gustav Gorski, economista-chefe da Geração Futuro, lembra que parte do recente impulso aos índices de inflação é devido a uma “mudança no nível de preço dos alimentos”. Em complemento, preocupam as amostras pontuais de demanda aquecida: “Para alguns setores, a oferta não está suficiente”.

Esse é um ponto ressaltado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. O banco analisa que a formação de capital fixo cresce a taxas significativas, mas ainda insuficientes para eliminar o risco de descompasso entre oferta e demanda.

Os economistas do Bradesco também citam uma novidade na descrição das pressões inflacionárias: o setor de serviços. Com o aquecimento do mercado de trabalho acompanhado de reajustes salariais, os preços tendem a subir.

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Outras preocupações

Gustav Gorski busca também outras explicações para o cenário de inflação atual, baseadas em expectativas de longo prazo. O economista da Geração Futuro lembra que “muitas incertezas rondaram o estabelecimento da meta para 2009”.

Ao escolher a manutenção da referência em 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o Conselho Monetário Nacional foi contra os pedidos de controle mais rigoroso frente à inflação futura. “A diminuição da meta de 2009 não ocorreu. A partir daquele momento, a inflação começou a subir”, avalia Gorski.

Existe outro motivo, mais estrutural, para explicar a insegurança com os preços. Segundo o Bradesco, trata-se da “deterioração da composição da política fiscal”. O Departamento de Pesquisas do banco alerta para o crescimento do setor público acima do avanço do PIB (Produto Interno Bruto).

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Esse Estado sem limites poderia comprometer a competitividade brasileira, a capacidade de financiamento do setor privado e os investimentos como um todo.

Prevendo o Copom

Para Inês Filipa Marques Pereira, analista da corretora Arkhe, “o Copom não está sendo muito preciso sobre seu próximo passo, na reunião de 17 de outubro”.

Ela crê que, se a Selic mantiver-se em 11,25% ao ano até o final de 2007, haverá maior confiança em relação ao controle inflacionário. “Isso pode contribuir para que os juros voltem a ser reduzidos com mais consistência em 2008, sem comprometer a meta”.

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Gustav Gorski aposta que os membros do Comitê de Política Monetária serão “muito mais parcimoniosos durante as próximas reuniões”. O Bradesco corrobora a opinião: “Ainda julgamos que o cenário básico seja de manutenção da
taxa de juro em 11,25% ao ano”.