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SÃO PAULO – Em pouco mais de um ano de existência reconhecida no mercado brasileiro, os fundos de investimento long and short praticamente dobraram de tamanho. Os primeiros long and short classificados pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) surgiram em agosto de 2006, com oferta de 30 fundos e R$ 5 bilhões em ativos.
Ao final de setembro deste ano, estes fundos, classificados entre os multimercados, detinham patrimônio líquido de R$ 9,633 bilhões distribuídos entre 79 fundos, o que representa um avanço de 92,7%. Os números surpreendem, mas o crescimento destes fundos não veio acompanhado de uma maior compreensão sobre o seu funcionamento.
Pela classificação da Anbid, os fundos long and short fazem operações de ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável, montando, simultaneamente, posições compradas e vendidas. Antes de aprofundarmos este conceito, vale a pena esclarecer o conceito de spread trading.
Vender sem ter
Isto porque a posição vendida dos fundos long and short é feita a descoberto, ou seja, o gestor do fundo põe à venda um ativo que não está em sua posse. Tal operação é possível quando este ativo em questão é alugado. De maneira resumida, o gestor do fundo aluga o ativo “vendido”, com o compromisso futuro (em data determinada no ato do aluguel) de devolvê-lo a seu proprietário.
Durante o período em que o gestor detém o ativo, é possível se desfazer deste na posição long and short. Em determinado momento, é necessário repor este ativo, já que quando o contrato de aluguel chega ao fim, é obrigação do gestor de devolver o papel a seu dono.
Esta operação se baseia na aposta de que entre o momento em que se fica “descoberto” (vendendo um ativo alugado, que não pertence ao fundo) e o vencimento do contrato de aluguel, o papel em questão irá se desvalorizar. Logo, a aposta é vendê-lo a determinado preço e recomprá-lo depois, antes do fim do aluguel, por um valor inferior (ganhando com esta arbitragem), ficando novamente “coberto” e devolvendo o ativo a seu proprietário.
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Intra-setorial: oscilações entre pares no mercado
Entre as diferentes estratégias utilizadas pelos fundos long and short, as mais conhecidas são intra-setorial, intersetorial e carteira contra carteira. A primeira delas prevê a compra e venda de ativos de empresas de um mesmo setor. Por exemplo, imagine que o gestor do fundo avalie que os papéis de uma empresa do setor de mineração estão sobre-valorizados frente aos de uma outra companhia deste mesmo setor.
A tendência do mercado, na visão deste gestor, é que os ativos da primeira mineradora corrijam (se desvalorizem), enquanto os da segunda tendam a subir. A estratégia adotada pelo long and short neste cenário é se desfazer dos papéis com tendência de queda (posição “vendida”) e adquirir os com perspectiva de alta (posição “comprada”). A diferença dos resultados destas duas posições será o ganho (ou perda) do fundo.
Este mix de posições também pode ser feito entre ativos de uma companhia contra os de uma holding que detenha participação nesta mesma companhia, ou entre diferentes ativos de uma mesma empresa, como ações preferenciais e ordinárias. A estratégia fundamental do gestor é identificar distorções entre ativos pares em um mesmo setor e ganhar em cima das correções do mercado.
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Diversificando entre setores e entre carteiras
Nas posições intersetoriais o mecanismo é exatamente o mesmo, porém, envolve papéis de empresas de setores diferentes. Neste caso, o gestor do fundo long and short fica simultaneamente “comprado” em papéis de determinado setor com perspectivas positivas e “vendido” nos ativos de um diferente setor com projeções não favoráveis.
Já a estratégia carteira contra carteira monta posições compradas e vendidas de grupos (carteiras) de ativos, sem que exista necessariamente uma relação intra-setorial ou intersetorial. É comum nesta modalidade uma maior diversificação de ativos. É na carteira contra carteira que os derivativos são mais utilizados.