Publicidade
SÃO PAULO – Tomando por base o crescimento das pressões inflacionárias no país, impulsionadas pelo aquecimento da demanda interna, o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompeu sua trajetória de cortes na taxa Selic em sua última reunião, mantendo-a em seu atual nível de 11,25% ao ano.
A decisão, unânime entre os membros do colegiado, foi criticada por alguns setores da economia brasileira, dentre os quais, o industrial manteve seu lugar de destaque, afirmando que a suspensão de estímulos monetários poderia ter sido postergada, dado o bom ritmo de crescimento da oferta agregada.
Influência do Fed sobre Selic
Após o arrefecimento da discussão em torno da taxa Selic, desta vez é o juro básico dos EUA que ocupa o lugar de destaque na pauta das principais praças financeiras do mundo.
Levando em conta os fracos números registrados pelos indicadores do país, com destaque para os relativos ao setor imobiliário, as expectativas de um novo corte na taxa vêm ganhando força.
E por mais que os investidores mantenham seu principal foco de atenção na decisão da autoridade norte-americana, as repercussões de uma nova redução na Fed Funds Rate sobre a postura a ser adotada pelo Copom em suas próximas reuniões já vem sendo traçadas pelos analistas.
Dólar deve seguir desvalorizado
Destacado pelos analistas da corretora LCA, o dólar comercial deve manter nas próximas sessões sua tendência de desvalorização frente ao real, observada ao longo deste ano, caso o Federal Reserve opte por flexibilizar a política monetária dos EUA.
Continua depois da publicidade
Isto porque uma redução na Fed Funds Rate irá elevar ainda mais o diferencial de juros externo e doméstico, o que, “em um bom cenário macroeconômico que reduz o risco do Brasil, sustenta as perspectivas de continuidade do forte fluxo de recursos estrangeiros no país”, como afirma a corretora AGK.
Inflação e desaceleração industrial
Refletindo tal desvalorização no mercado cambial, os analistas da LCA acreditam que as expectativas inflacionárias devem se manter ancoradas, apesar da escalada dos preços do petróleo e de diversas commodities, como as metálicas e agrícolas.
Ademais, outro fator ressaltado pela equipe da LCA é a desaceleração do setor industrial no país, como demonstrado por certos indicadores econômicos do segmento, como o INA (Índice de Nível de Atividade), que no terceiro trimestre deste ano marcou sua menor expansão desde os últimos três meses de 2004.
Continua depois da publicidade
Cortes já no primeiro semestre de 2008
Em consonância com a análise tecida pela LCA, Fausto Gouveia, analista da Win, home broker da Alpes Corretora, acredita que caso o Federal Reserve aja em linha com as expectativas do mercado efetuando mais um corte no juro básico dos EUA, o espaço para retomada do processo doméstico de flexibilização monetária fica maior.
A equipe de análise da Sul América é mais específica. “Assegurada a ancoragem das expectativas inflacionárias, abre-se espaço à retomada dos cortes na taxa Selic ainda no primeiro semestre de 2008”.