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SÃO PAULO – A despeito de membros do Federal Reserve sinalizarem à imprensa alguma resistência a novos cortes no juro básico norte-americano, demonstrando cautela frente a pressões inflacionárias, as expectativas do mercado para um novo corte na taxa ganham força.
As apostas para um corte adicional de 25 pontos-base na taxa básica de juro dos EUA na reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), marcada para 11 de dezembro, baseadas nos preços futuros da Chicago Board of Trade, passaram de 42% na última semana, para 70%.
Ainda que expressem apreensão quanto a pressões inflacionárias, os comentários de membros do Fed não parecem fechar definitivamente as portas para um novo corte, acreditam os analistas do banco Merrill Lynch, já que uma deterioração adicional no mercado imobiliário norte-americano pode ser o gatilho para um novo corte na taxa.
O que dizem as autoridades
Com a crescente incerteza acerca do cenário prospectivo para a economia norte-americana, o mercado busca com mais afinco do que usualmente o faz sinalizações de membros do Federal Reserve sobre suas decisões futuras. Na quinta-feira, foi a vez de Ben Bernanke, presidente do Fed, dar sua percepção a respeito do cenário econômico dos EUA.
Neste contexto, segundo Bernanke, os indicadores da economia norte-americana continuam a mostrar resiliência, mas o crescimento no próximo trimestre deverá apresentar uma desaceleração visível frente ao registrado no período anterior, afirmou o presidente do Banco Central norte-americano, Ben Bernanke, ao Congresso norte-americano.
Acerca do pronunciamento do chairman, o banco UBS avalia que “o balanço das suas observações sugere que, se as expectativas de inflação no longo prazo estiverem controladas, um menor crescimento econômico pode afrouxar a política monetária”.
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No que diz respeito à inflação, desde o seu último testemunho no Congresso em março deste ano, os núcleos dos índices de preços têm ficado dentro do esperado, embora as recentes elevações nos preços da energia “deverão liderar um aumento da inflação por um tempo”.
Jeffrey Lacker, presidente do Fed de Richmond, defendeu recentemente o corte de 25 pontos-base na Fed Funds Rate na última reunião do Fed, realizada no dia 31 de outubro, mas afirmou que continua preocupado com a inflação do país.
Já Kevin Warsh, diretor da instituição, afirmou que novas informações seriam necessárias para que houvesse uma mudança significativa nas expectativas da autoridade monetária acerca da inflação norte-americana e do crescimento e, apenas desta forma, alterar sua postura frente à taxa básica de juro.
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Incertezas crescentes
Desde o ápice da crise do subprime nos mercados financeiros em meados de agosto e setembro passados, a autoridade monetária norte-americana tem agido no sentido de minimizar os danos que o segmento de crédito imobiliário de alto risco pode causar no crescimento econômico do país.
Além da intervenção através da injeção de moeda nos mercados, desde então, o Fed já reduziu a taxa básica de juro do país em 75 pontos-base, para 4,50% ao ano. Os cortes, porém, tiveram caráter preventivo, uma vez que não havia até então claras evidências de desaceleração expressiva no crescimento econômico do país.
Em situação semelhante está o nível geral de preços do país, uma vez que a inflação e as expectativas do mercado para esta variável apresentam-se praticamente sob controle. Todavia, o aumento dos preços do petróleo e a depreciação do dólar frente a diversas divisas tendem a elevar os riscos ao controle da inflação. Todos estes fatores devem continuar alimentando as incertezas do mercado e, conseqüentemente, a volatilidade nos ativos.