O valor insubstituível da sustentabilidade

<div class="select">Por Ingo Plöger</div> O desafio da sustentabilidade é tentar resolver três grandes problemas: miséria, exclusão social e mudança climática

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O grande desafio da sustentabilidade é tentar resolver três grandes problemas que o mundo defronta hoje: a miséria, a exclusão social e a mudança climática, verdadeiras epidemias que devemos combater para tentar mudar o destino da Terra. Tenho muita pressa e estou indignado com esta situação.

O desenvolvimento não pode ficar focado exclusivamente na melhoria dos já inseridos socialmente, mas na dos que não possuem as mínimas condições de uma vida digna. A educação, quarta vertente da sustentabilidade, é a mola propulsora de promoção do bem estar, pela inserção social e pela consciência ambiental que esta traz em seu bojo.

A sustentabilidade começa pelo fator econômico, passa pelo social e ambiental e termina no educacional, nesta ordem que descrevi. Quem não compreender que é nesta ordem que a sustentabilidade opera falhará, pois não é possível colocar as questões sociais à frente do fator econômico, já que é este que sustenta aquele. Nem o fator ambiental à frente do social, porque inverterá a ordem da criação.

“Quem não se ativer à sustentabilidade não sobreviverá por muito tempo; poderá até ter bons lucros imediatos, mas não conseguirá mantê-los por muito tempo”

Vivemos em um mundo mais rápido na troca de informações e globalizado, o que significa que temos mudanças oriundas de fatores cada vez mais abrangentes e envolventes. Nossa percepção precisa se tornar mais e mais internacional e, ainda assim, é preciso manter o foco no nosso negócio. Isto é um paradoxo de gestão fascinante. Quem não se ativer à sustentabilidade não sobreviverá por muito tempo; poderá até ter bons lucros imediatos, mas não conseguirá mantê-los por muito tempo.

A mudança climática está compelindo os povos a uma mudança de atitude. Ela tem uma vertente econômica muito forte em função da substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis. O preço do petróleo batendo em 100 dólares o barril favorece as alternativas que até então tinham um preço bastante elevado, como as energias renováveis eólica, hídrica e biomassa, além das novas combinações com os projetos fósseis.

A ratificação do Protocolo de Kyoto deu novo impulso a projetos de MDL. Com as novas regras ditadas pela União Européia, Japão e até mesmo os Estados Unidos, os mercados Non-Kyoto Compliance, resultaram em opção adicional para o comércio das emissões.

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A Bolsa de Valores de São Paulo conta hoje com um novo índice aplicado ao mercado de ações – o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que destaca as empresas que apresentam melhores desempenhos em termos de responsabilidade social e sustentabilidade financeira e ambiental. O critério de avaliação da sustentabilidade foi elaborado pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.

Um grande marco para a sustentabilidade foi o fato do ex-Vice-Presidente dos EUA Al Gore ter recebido o Prêmio Nobel da Paz versão 2007, por seu empenho em prol das ações que reduzam os efeitos da mudança climática. Não foi por menos que o filme “Uma Verdade Inconveniente” recebeu um Oscar pelo conteúdo e pela enfática mensagem que provoca mudanças em cada um de nós.

Cada vez mais empresas que respeitam as questões sociais e ambientais conquistam padrões de preferência superiores àquelas que não investem devidamente nestas categorias. Não são poucos os casos que a imprensa publica de produtos que apontam sérios problemas.

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Nos dias 19 e 20 de novembro estarão reunidas 1.500 pessoas em Blumenau, brasileiros e alemães, para discutir sobre a inovação e a cooperação tecnológica. Um item de destaque que será colocado é a da responsabilidade social e ambiental como intrínseca e fundamental na cooperação entre os dois países.

Ingo Plöger é empresário, coordenador do 1º Fórum de Líderes em Sustentabilidade e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial Institucional – especializada em negociações internacionais – e escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.