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Fabíola Carvalho transformou uma frustração em propósito. Ao longo da carreira, ela enfrentou ambientes dominados por homens — primeiro no agronegócio, depois no mercado financeiro.
Doutora em agronomia e empresária, encontrou no trading uma nova forma de desafiar limites e inspirar outras mulheres a fazer o mesmo. “Na sala havia 300 pessoas e apenas 10 mulheres. Eu pensei: de novo isso, o mesmo mundo masculino de novo”, relembra.
Convidada do episódio 73 do programa GainDelas, no canal GainCast, Fabíola contou como dessa constatação nasceu o Elas Invest, grupo criado para reunir mulheres interessadas em aprender sobre investimentos day trade e mercado financeiro.
“Comecei a montar um grupinho, o Elas Invest, porque eu queria realmente só público feminino”, explica.
O nome surgiu de forma espontânea e sem pretensão de se tornar um movimento. “Na época nem tinha o ChatGPT para escolher o melhor nome para a empresa. Coloquei Elas Invest e comecei a divulgar”, afirma.
De 10 mulheres para 600 participantes
A iniciativa cresceu rapidamente. Em pouco tempo, o grupo chegou a 100 integrantes, número máximo permitido pela ferramenta que utilizava.
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“Os homens começaram a pedir para entrar, porque viam os resultados das análises que eu mandava. Eu mostrava as entradas ao vivo e explicava o porquê de cada operação”, conta.
O que nasceu como um espaço de apoio feminino acabou se tornando uma comunidade mista e sólida de traders. “Hoje tenho quatro grupos com mais de 500 pessoas em cada um”, afirma.
Mas o sucesso não eliminou as dificuldades. Fabíola destaca que, mesmo com o aumento da participação feminina, ainda há barreiras culturais.
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“As mulheres ainda têm medo. O público feminino é maioria no Brasil, mas minoria no mercado financeiro”, observa.
Para ela, a presença de outras mulheres consistentes e influentes é o que tem mudado esse cenário.
“As mulheres estão mais curiosas. Elas estão se identificando mais com o gênero feminino e buscando aprender com quem já chegou lá”, explica.
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Representatividade e empatia no mercado
Segundo Fabíola, a entrada de mais mulheres no trading está ligada a fatores emocionais e comportamentais. “De mulher para mulher, elas têm mais empatia, se sentem mais seguras”, afirma.
Para ela, essa segurança também aparece no modo como lidam com risco e paciência. “A mulher tem mais disciplina porque não tem a briga de ego. Os homens têm muita briga de ego”, observa.
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Mas a diferença vai além do emocional. Na visão da trader, a empatia feminina é uma vantagem competitiva. “As mulheres vêm com propósito. Elas não têm pressa em operar grande. Preferem aprender devagar e ir com calma”, explica.
O resultado é uma curva de aprendizado mais estável e uma relação mais saudável com o dinheiro, com o próprio desempenho e com o day trade.
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Educação e consistência como missão
Com o crescimento do Elas Invest e da sua atuação nas redes sociais, Fabíola passou a enxergar o papel da educação como missão.
Hoje, ela realiza transmissões ao vivo, análises e cursos voltados ao público iniciante no day trade, mantendo o foco na técnica e na gestão emocional.
“Eu acho que nós também estamos ajudando a atrair esse gênero feminino na grande maioria hoje, né? E querendo ou não, a mulher tem mais disciplina quando ela entra”, conclui.
Mas, acima dos números e dos resultados, o que permanece é o propósito. A trajetória de Fabíola Carvalho mostra que o caminho da mulher no trading é, acima de tudo, um movimento de coragem e construção coletiva — um espaço onde a voz feminina finalmente encontra eco dentro das telas do mercado.
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