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SÃO PAULO – Futuramente, é possível que as importações provenientes da China não se limitem apenas a têxteis, calçados e eletroeletrônicos, mas se estendam também à inflação daquele país. Em conjunto com o expressivo crescimento econômico que marca a economia chinesa nos últimos anos, cresce também o nível de preços do país.
A inflação importada da China já é uma realidade, embora ainda não muito expressiva, em países como os Estados Unidos. Em maio, por exemplo, o preço das importações norte-americanas provenientes da China avançou 0,3% em relação ao mês imediatamente anterior.
Estudos da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -estimam que o processo de globalização foi responsável pela elevação em 0,2 ponto percentual no nível de preços dos países ricos entre 2000 a 2005.
A exportação de inflação a esses países tem gerado dúvidas quanto ao controle que suas autoridades monetárias detêm sobre o nível de preços domésticos, variável que tem sido fonte de preocupação dos principais bancos centrais do mundo.
Reunião visa debater inflação externa crescente
O desempenho econômico chinês recente, anunciado na última semana, e a inflação do país que já é a quarta maior economia do planeta que marcou alta de 4,4% em junho, motivaram um encontro entre economistas e autoridades durante os próximos dois dias no Banco Central Europeu (BCE).
Entre os presentes no fórum estarão Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, e Frederic Mishkin, presidente regional do Federal Reserve. A inflação tem sido a maior fonte de preocupação do Fed e do BCE.
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Por aqui, aparentemente, ainda não há o que temer
A preocupação com as pressões inflacionárias decorrentes do nível de preços internacional foi mencionada pelo Bank of England como um dos fatores que motivaram a elevação de sua taxa básica de juros para 5,75% ao ano. Os preços de produtos importados caracterizam-se por um crescente risco inflacionário, destacou o banco.
Por aqui, os preços dos produtos importados ainda não geram preocupações à autoridade monetária, pelo contrário: a trajetória de apreciação do real frente ao dólar e seus impactos sobre a importação e o nível de oferta da economia doméstica justificou, em partes, o cortes menos conservadores na taxa Selic nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).